Algumas referências sobre a história da mobilização questionando o hino santa-cruzense no ano de 2001.
BREVE HISTÓRICO DO DESDOBRAMENTO DA POLÊMICA ENVOLVENDO O HINO MUNICIPAL DE SANTA CRUZ DO SUL - 2001
A partir de conversas informais entre diversas pessoas, resolvermos (ou seja, um grupo formado por professores e militantes sociais resolveu) iniciar um debate mais organizado e de caráter público sobre o hino do município no ano de 2001, visto a avaliação de que o mesmo possui um conteúdo que exclui às outras etnias da construção do município, podendo ser uma fonte “oficial” de posturas racistas, conforme levanta os textos abaixo.
Já realizamos diversos encontros (com registro em ata e lista de presença) abertos para debater o assunto. O objetivo dos encontros é promover uma grande discussão na cidade sobre racismo e as formas de promovê-lo através de “símbolos oficiais”, caso do hino, entre outros. A participação foi, em termos, pequena, porém qualificada e diversa, entre “acusadores” e “defensores” do hino. Professores, membros de associações (inclusive de cultivo de “tradições germânicas”), ativistas de movimentos sociais, do movimento negro, servidores públicos etc. se fizeram presente.
Entre o primeiro e segundo debate – para marcar a passagem do dia 13/05 – o pessoal do grupo realizou o Fórum de Reflexão “13 de Maio: Abolição?”, que, através de filmes e documentários, propiciou um debate sobre vários aspectos da discriminação racial em Santa Cruz do Sul – incluindo o hino municipal – e em todo Brasil e mundo.
Já no dia 29 de maio último, o grupo (pessoal da organização e apoio aos eventos) fez uma avaliação dos trabalhos com a presença do secretário executivo do CODENE, Betinho, “oficializando” o coletivo com a denominação de Coletivo de Estudos e Debates Etnoculturais de Santa Cruz do Sul – CEDECS. O grupo já vinha pesquisando e apresentando diversos dados bibliográficos e estudos que colocam a importância de realizar este debate sobre os “mecanismos sutis da segregação racial”, inclusive comparando o hino santa-cruzense com outros de municípios vizinhos, onde não há exaltação de somente uma etnia ou não são mencionadas em específico.
Ocorre que está havendo uma grande repercussão a partir do questionamento levantado, com manifestações pela imprensa que tentam desqualificar o debate e reafirmar a “justeza” do hino local por sua conformidade com a “história real de Santa Cruz” – tese essa que temos sistematicamente confrontado, trazendo relatos históricos que desmentem esta mistificação em torno das “origens” do município. A abrangência da celeuma – com todas as distorções imagináveis – foi (está sendo) maior do que esperávamos, chegando até aos veículos da RBS (Zero Hora, TV, rádios, ClicRBS – onde o hino ficou disponível para quem quisesse escutá-lo) e na Folha de São Paulo, que publicou uma reportagem sobre o assunto no dia 27/05.
No dia 9 de junho estivemos no bairro Bom Jesus promovendo o “3º Encontro de Debate sobe o Hino de Santa Cruz do Sul” (ver abaixo em Nota Pública).
Os membros do CEDECS continuam [em 2001] mobilizados, pesquisando e reunindo-se. Elaboramos uma Lista de Apoio, para quem quiser manifestar favorável ao debate instalado em Santa Cruz do Sul.
Um apanhado de livros sobre a história do município está em andamento, com seleção de trechos destacando a presença e a importância de outras etnias além da alemã, buscando subsidiar um debate que faça contraponto a versão de que “foram os alemães sozinhos que fizeram Santa Cruz”.
Participação em eventos comunitários e na imprensa estão acontecendo esporadicamente, embora a “grande mídia” local excluiu de sua pauta o “assunto hino”. Entretanto, no último dia 18 de junho entrou no site de notícias São Paulo – www. no.com.br – uma reportagem bem interessante sobre a “polêmica”, onde há declarações, entre outras, de professores da UNISC e UFSM; na continuação da reportagem, há também uma referência à “polêmica da bandeira sulista” nos EUA, especialmente do Mississippi. Também no dia 26/06 a TV Bandeirantes em Porto Alegre fez uma reportagem sobre o assunto, veiculando-a no telejornal local na mesma noite. A rádio Gaúcha está preparando uma matéria, tendo entrevistado alguns membros do CEDECS.
Em reunião do CEDECS no dia 24 de julho, decidiu-se “inaugurar” uma nova etapa do grupo, com ampliação do foco das discussões, envolvendo questões como identidade social, gênero e sexualidade. Haverá uma série de reuniões abertas à comunidade com o título geral de “Encontro de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa cruz do Sul”. O primeiro deste encontro foi no dia 11 de setembro, com o tema “a identidade negra em zonas de imigração alemã”, com o palestrante professor Jair Pereira, pesquisador e militante do Movimento Negro de Venâncio Aires. Seguiram-se mais dois encontros, o último abordando a questão indígena.
RELEASE 01
Debate sobre o hino de Santa Cruz prossegue
O grupo que está debatendo a questão racial envolvendo o Hino de Santa Cruz do Sul e outros símbolos da municipalidade fará o seu segundo encontro no próximo dia 22 de maio, terça-feira, às 19h, na sala de reuniões da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social/Sistema Nacional de Emprego no Rio Grande do Sul (FGTAS/SINE-RS) – Av. João Pessoa, 13, portão C.
Conforme uma das coordenadoras do grupo, Sônia Soares, membro do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado do Rio Grande do Sul (CODENE), o objetivo dos encontros é ampliar o debate em torno de “formas oficiais, quase imperceptíveis, de reforçar a exclusão racial”, colhendo mais informações e opiniões de diversos segmentos, incluindo professores, historiadores, políticos e ativistas de movimentos sociais e da população negra.
Maiores informações podem ser obtidas pelo fone XXXX. A organização do grupo tem o apoio da 20ª Coordenadoria Regional da Secretaria do Trabalho, Cidadania e Assistência Social do Rio Grade do Sul, Divisão da Criança e do Adolescente e FGTAS/SINE-RS em Santa Cruz do Sul. – Distribuído em 17/05/2001.
RELEASE 02
Debate sobre o hino é ampliado e vai aos bairros
Em reunião no último dia 29 de maio de 2001, os organizadores do debate sobre a questão racial envolvendo o hino de Santa Cruz do Sul e outros símbolos da municipalidade definiram o prosseguimento dos encontros abertos à comunidade. A terceira edição do evento – 3º Encontro de Debate sobre o Hino de Santa Cruz do Sul – será no Ginásio Municipal do bairro Bom Jesus (rua Pe. Luis Müller), no dia 9 de junho, sábado, a partir das 14h.
Estarão presentes, entre outras representações, a diretoria executiva do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado do Rio Grande do Sul (CODENE), além de estudiosos e ativistas de diversos movimentos contra a discriminação racial do Estado. O objetivo, segundo os organizadores, é “ampliar e amadurecer o debate sobre o hino santa-cruzense, trazendo informações sobre a história do município e a discussão sobre a participação de outras etnias na construção de Santa Cruz do Sul num contexto mundial de luta contra a exclusão social de origem étnica”. Do encontro poderão sair propostas para encaminhar uma ação mais efetiva em relação à mudança da composição oficializada em 1963.
Para participar do 3º Encontro de Debate sobre o Hino de Santa Cruz do Sul não é preciso fazer inscrição prévia. Maiores informações podem ser obtidas pelo fone (51) 3713-1885. A realização do evento está a cargo do recém fundado Coletivo de Estudos e Debates Etnoculurais de Santa Cruz do Sul – CEDECS, com o apoio de diversas entidades e movimentos sociais, entre elas a 20ª Coordenadoria Regional da STCAS e as coordenadorias da FGTAS/SINE e Divisão da Criança e do Adolescente em Santa Cruz do Sul.
COLETIVO – Na mesma reunião do dia 29 de maio que definiu a continuidade dos debates sobre o hino santa-cruzense, houve a formalização do grupo que promoveu os dois encontros anteriores e um fórum sobre questões raciais em 13 de maio passado, recebendo a denominação de Coletivo de Estudos e Debates Etnoculurais de Santa Cruz do Sul – CEDECS. Aberto a todos os interessados, o coletivo está atualmente formado por militantes de diversos movimentos sociais e estudiosos, tendo como objetivo, conforme está registrado na proposta de criação do órgão, “buscar informações, problematizar e levar à comunidade em Santa Cruz do Sul e região reflexões acerca da discriminação racial, engajando-se numa luta histórica maior pelo resgate da dignidade, da auto-estima, das características culturais próprias, do poder político e econômico em todas as instâncias do Brasil do povo oprimido, em especial os afrobrasileiros, índios, mestiços e outros, englobados na grande raça humana”.
A proposta do CEDECS é reunir-se pelo menos uma vez a cada mês, além de promover ou apoiar eventos que busquem ampliar a pesquisa e a discussão comunitária sobre os assuntos etnoculturais em Santa Cruz do Sul e região. Informações sobre as atividades do CEDECS podem ser obtidas pelo fone XXXXXX. – Distribuído em 05/06/2001.
ARTIGO
UM NOVO HINO MUNICIPAL*
Como se sente uma criança afro-descendente santa-cruzense ao aprender e ter de cantar o hino municipal em alguma cerimônia? Muitas, provavelmente, nem notarão a mensagem que louva o “loiro imigrante” e a “bravura alemã” sem jamais se referir aos negros – e, da mesma forma, aos portugueses, índios e outros povos (inclusive de outros países da Europa) que também habitaram (e habitam) e constituíram (e constituem) o município de Santa Cruz do Sul.
Claro: temos que entender a época e o contexto em que o hino foi composto. A visão crítica da história e da criação de mitos que sustentam determinadas estruturas sociais simplesmente não existiam ou então não eram disseminadas como hoje o são. Ocorre que não há mais motivos para a manutenção de símbolos que não traduzem nem condizem com a realidade, e que apenas reforçam estereótipos e preconceitos desagregadores, frutos, como já disse, de uma historiografia distorcida, parcial e ufanista.
Sugiro, assim, uma ampla discussão desse assunto em nossa comunidade, especialmente nas escolas. Por que não pensarmos em um novo hino para Santa Cruz do Sul? Um hino que os meninos e as meninas de pele escura e sem sobrenomes germânicos possam se orgulhar de ouvir e cantar, se sentindo incluídos na letra e na música, valorizando seus antepassados, sua cultura própria, a luta e o sofrimento do seu povo, na busca de um município próspero, justo, democrático e sem mitificações que acabam por reproduzir o racismo e a exclusão social.
*Primeiro texto que saiu na imprensa sobre o assunto.
ARTIGO 2
ALÉM DO HINO, OUTROS NOVOS SÍMBOLOS
Além do hino municipal, com seu conteúdo que exclui da construção de Santa Cruz do Sul as outras etnias, fixando-se unicamente na “bravura alemã” (a qual, sem dúvida, foi verdadeira e importante), há outros símbolos que reforçam a idéia de que o nosso município é fruto apenas do “loiro imigrante”, como diz a letra oficializada em 1963.
O Monumento ao Imigrante é um exemplo. Lá está o colono – “obviamente” de origem germânica – com o seu machado e postura varonil, “trazendo a civilização” para Santa Cruz do Sul através do árduo trabalho. Certo! Mas onde está representado o trabalho dos negros e dos descendentes lusos (sem falar de outras etnias e do papel das mulheres nisso tudo)? Eles (e elas) têm algum monumento significativo? De novo estamos diante de parcialidades e simplificações históricas, que dão um papel exclusivista aos imigrantes alemães e seus descendentes no município.
Assim poderíamos falar também do Parque da Oktoberfest, do brasão da municipalidade, da bandeira de Santa Cruz do Sul, etc. Tais eventos e objetos simbólicos podem estar produzindo há muitos anos uma idéia (falsa, conforme diversas fontes históricas) aos “não-alemães” de que eles não fazem parte – nem nunca fizeram – da história do município.
Por que não criarmos uma Avenida da Integração dos Povos, a Rua do Trabalhador Negro, a Praça dos Luso-brasileiros, etc? Por que não promovermos a Multietnofest e construirmos um edifício com o nome de Residencial Zumbi dos Palmares? Enfim, homenagear igualmente a todas as culturas e raças. Porque todos os povos têm o seu valor, sua dignidade, tanto no passado, quanto hoje em dia. Santa Cruz do Sul é de todos nós, sem preconceitos raciais, sem discriminações negativas, e sim com ações propositivas e concretas pelo resgate social dos excluídos!
*Publicado em 17 de maio de 2001
NOTA PÚBLICA
Em seu terceiro encontro, ocorrido no último dia 9 de junho de 2001, a partir das 14h, no ginásio municipal no Bairro Bom Jesus, com a presença de pessoas de vários movimentos e instituições da sociedade santa-cruzense e gaúcha, o grupo promotor do debate abordando o Hino Municipal de Santa Cruz do Sul e seus apoiadores concluiram e informam:
É extremamente válido o questionamento sobre a exclusão de outras etnias que não seja a germânica no hino municipal. O mesmo reforça uma visão distorcida da história, da cultura e da sociedade santa-cruzense em relação a sua formação étnica, conforme demonstram os depoimentos, reflexões e dados bibliográficos diversos já apresentadas nos três encontros promovidos pelo referido grupo - hoje denominado Coletivo de Estudos e Debates Etnoculturais de Santa Cruz do Sul (CEDECS) - e seus apoiadores.
O hino municipal, enquanto um símbolo oficial de Santa Cruz do Sul e, portanto, do seu povo, é um elemento a mais num processo maior de exclusão social. Seu questionamento se soma a outras tantas lutas pelo fim do preconceito racial em Santa Cruz do Sul e em todo o país e mundo.
O debate deve continuar, aprofundando e expandindo por todo o município, estando aberto a participação de todo cidadão e cidadã. Para isso, será feito um roteiro de continuidade dos encontros e reuniões, envolvendo os diversos bairros, localidades e entidades de Santa Cruz do Sul.
Também estará circulando nos próximos dias uma Lista de Apoio para quem quiser manifestar-se favoravelmente ao debate sobre o hino, o questionamento da sua pertinência histórica e simbólica diante da realidade de Santa Cruz do Sul, bem como outros assuntos envolvendo a presença de múltiplas etnias no município, suas contribuições e problemáticas, na busca de um mundo mais solidário, sem racismo.
Mais informações podem ser obtidas junto ao CEDECS, através do fone XXXXXX.
Santa Cruz do Sul, 09 de junho de 2001.
LISTA DE APOIO
Pelo Questionamento e Debate Público do Hino de Santa Cruz do Sul e de Outros Assuntos Envolvendo a Presença de Múltiplas Etnias no Município (cabeçalho)
Nós, abaixo indicados, sem objetivo de ferir pessoa, etnia ou instituição alguma, apoiamos o debate envolvendo a letra do Hino de Santa Cruz do Sul e outros assuntos referentes a presença de múltiplas etnias e culturas no município e suas diversas contribuições e problemáticas. Em relação ao hino santa-cruzense, o debate é pertinente, pois o mesmo não contempla e, conseqüentemente, exclui outras etnias que não seja a germânica na história, na cultura e na sociedade local, merecendo assim a atenção de toda a população e de cada uma das pessoas interessadas em romper com equívocos históricos e preconceitos de ordem racial e cultural presentes em "homenagens oficiais" - caso do hino -, buscando ajudar a construir, através da reflexão, do estudo e do debate aberto e democrático, um mundo socialmente mais justo e solidário.
Santa Cruz do Sul, 13 de junho de 2001. (NOME – ASSINATURA – ATUAÇÃO)
***Documento atualizado em 11/07/2001
[O CEDECS mencionado acima veio a resultar no GT-Afro, Grupo de Trabalho pela Promoção da Comunidade Negra em Santa Cruz do Sul, atuante até hoje – outubro de 2008.]
HISTÓRIA, IDENTIDADE ÉTNICA E EXCLUSÃO SOCIAL NA REGIÃO DE SANTA CRUZ DO SUL (RS - BRASIL) *** Artigos opinativos e outros comentários selecionados pelo autor *** IURI J. AZEREDO
25 de out. de 2008
Apontamentos bibliográficos de 2001
24 de agosto de 2001
APONTAMENTOS BIBLIOGRÁFICOS SOBRE A HISTÓRIA DE SANTA CRUZ DO SUL: A PLURALIDADE ÉTNICA NA FORMAÇÃO DO MUNICÍPIO
Segue abaixo alguns apontamentos, entre outros muitos e vários possíveis, de parte da bibliografia referente à história de Santa Cruz do Sul e região [boa parte com um notório “viés germanófilo”]. Tais dados buscam ressaltar, a partir da bibliografia “clássica” já existente a participação de outras etnias - além da alemã - na formação da comunidade santa-cruzense.
As palavras em negrito [ainda não marcada nesta postagem do texto], especialmente os nomes de pessoas e referências étnicas, foram colocadas por nós justamente para chamar a atenção sobre a presença e participação de outras origens geográficas, históricas e culturais no processo de desenvolvimento do município e região. Já o que está entre colchetes, são complementações para melhor compreender o fragmento pinçado nas obras e/ou assinalar alusões a etnias “não-germânicas”. Por fim, os três pontos entre parênteses são passagens que foram suprimidas dos fragmentos bibliográficos a fim de sintetizá-los conforme o nosso objetivo, ou seja, trazer à reflexão dados que indicam a pluralidade étnica presente ao longo da história de Santa Cruz do Sul.
É importante frisar que a nossa intenção não é o de negar ou menosprezar a já decantada importância dos teutos em Santa Cruz do Sul. Nossa pretensão é problematizar a questão, integrando a presença do “loiro imigrante” e da “bravura alemã” (conforme explicita o hino municipal, um dos “símbolos máximos” de Santa Cruz do Sul, que “oficializa” uma versão da história e da sociedade locais) a um contexto maior, mais complexo e abrangente; menos parcial, menos simplificado e desmitologizado. Talvez isso colabore para forjarmos ou reforçarmos uma comunidade – étnica e socialmente – mais justa e democrática.
#DICIONÁRIO HISÓRICO E GEOGRÁFICO DA REGIÃO DE SANTA CRUZ DO SUL – Armindo L. Müller – obra publicada em 1999 pela Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul (EDUNISC)
“Faxinal do João Faria – Antigo nome da cidade de Santa Cruz do Sul. Em 1796, Dona Maria, rainha de Portugal, confirmou a doação de uma sesmaria a João Faria da Rosa (...). O avô de João Faria, que tinha o mesmo nome, foi o primeiro morador de Santa Cruz. Para resguardar-se das investidas dos índios, fez cercar sua casa pelos ranchos de seus numerosos escravos. O sobrado de madeira estava coberto de telhas de barro. Seu neto, com o mesmo nome, residiu na mesma propriedade, que serviu de alojamento para os colonos imigrantes. Foi este último quem transportou os colonos até o lugar dos lotes, que lhes foram concedidos, na Picada do Abel. (...) – pág. 40
“Abel – Picada, na Colônia Santa Cruz, também conhecida como Picada Velha e Picada Santa Cruz. Antiga denominação da atual Linha Santa Cruz. Ligava o Faxinal do João Faria (a atual cidade de Santa Cruz do Sul) como Rincão de Santo Antônio, no município de Soledade. A abertura da estrada foi aprovada pelo governo provincial, em 6 de dezembro de 1847, mas a picada somente começou a ser aberta em meados de 1849. Ao redor dela, os primeiros alemães receberam os seus lotes de terra. Homenageia o tenente-coronel Abel Corrêa da Câmara, que contratou a obra, através do seu capataz Delfino dos Santos Morais. (...) [O tenente-coronel Abel] Auxiliou na demarcação de terras e organização de novas colônias, entre as quais a de Santa Cruz. (...).” – pág. 7
“Áustria – Pequena picada, na Linha Santa Cruz (...). A denominação provém do imigrante Heinrich Joseph Östereich que ali se estabeleceu por volta de 1851, juntamente com sua família. O imigrante nasceu a 7 de março de 1796, em Fulda [na Áustria] (...).” –pág. 14
“Linha Barra do Quilombo [em Vale do Sol, antigo distrito de Santa Cruz do Sul, hoje emancipado] – Neste lugar se estabeleceram pessoas muito humildes, principalmente de origem lusitana. Supõe-se que, nas cercanias, em tempos passados, tenha existido um refúgio ou quilombo de escravos [afros].
“A colônia de Santa Cruz foi fundada dia 2 de dezembro de 1849. Duas semanas depois chegaram os doze primeiros imigrantes alemães (...) [entre eles] Augusto Wutke (...) acomapnahado de suas esposa Johannna Franziska Mummert (...) e dos filhos Johann Wilhelm ((...) Era casado com a paraguaia Maria Anna Gonzales). (...). –pág. 29-30
“Dona Carlota – 1. Arroio, na localidade do mesmo nome. 2. Bairro na cidade de Santa Cruz do Sul. Carlota Leopoldina Pedroso Barreto (...) casou com o imigrante inglês, Guilherme Lewis, um dos primeiros moradores de Santa Cruz do Sul, e preferia ser chamada de Dona Carlota (...)”. – pág. 34
“Gramado Xavier – Antigo distrito de Santa Cruz do Sul (...) foi colonizado, a partir de 1930, principalmente de pessoas de origem italiana, oriundas de antigas colônias do Estado. (...) Este topônimo [Gramado Xavier] homenageia o primeiro morador da localidade Custódio Xavier, que, junto com a família Brito, eram ervateiros e posseiros em terras pertencentes à família Schmidt. Entre os primeiros colonizadores podem ser citados as famílias de João Karal, Antônio e Pedro Ferrari, Fernando Pozzebon, Tomazzi, Legramanti, Berté e outras.” –pág. 45
“Italienberg – Morro dos italianos. Antiga denominação da Linha Alto Trombudo [localidade outrora pertencente a Santa Cruz do Sul]. Nessa região se estabeleceram alguma famílias italianas, como Durante e outras.” – pág. 50
“João Alves [localidade de Santa Cruz do Sul] foi o primeiro subdelegado da povoação de São João da Santa Cruz, por volta de 1860 e 1864. Foi também o primeiro presidente da comunidade Católica [de Santa Cruz do Sul].” –pág. 52
“Juca Rodrigues – Linha colonial, que, no passado, abrangia a atual Vila Verena, o Acesso Grasel e áreas adjacentes. Compreendia, na época, os matos de Vasco José Silveira e José Rodrigues de Almeida. Hoje está localizada dentro do perímetro urbano da cidade de Santa Cruz do Sul. Juca Rodrigues era agrimensor e fazia medições de terra na Linha Santa Cruz e era mais conhecido pelo apelido de Jacuri. (...) – pág. 53
“Jacuri – Arroio (...) forma a sanga Preta. Nasce no Acesso Grasel. [Homenageia] Juca Rodrigues, apelidado de Jacuri, realizou medições de terra na Linha Santa Cruz, tornando-se pessoa muito popular e solicitada.” –pág. 53
“Lajeado – (...) Afluente do rio Pardinho, que percorre o Bairro Renascença, passando entre os cerros Nagele Pinheiro. (...) No início da colonização de Santa Cruz, ali foram resirir o português Lucas Antônio Espíndola, o paulista José Leite Maciel, e ainda Paulo da Cunha, Francisco Gonçalves da Rosa, José Cândido de Oliveira e Evaristo Alves de Oliveira. (...)” –pág. 57
“Linha Preta – Localidade no município de Sinimbu [antigo distrito de Santa Cruz do Sul], onde teriam residido, principalmente, pessoas de origem africana, isto é, de cor preta. (...) –pág. 66
“Mato Alto – Pequeno povoado, no município de Vera Cruz [originalmente pertencente a Santa Cruz do Sul] (...), onde se estabeleceu o imigrante sueco Carl Johann Tonquist. (...) nasceu no dia 31 de maio de 1833, em Gladhammar, Wertrum, na Suécia (...).” –pág. 71
“Quilombo – Pequeno arroio na divisa [de Santa Cruz do Sul] com o município de Candelária. Quilombo nada mais é do que um local de refúgio de escravos [no caso, africanos]. (...)” –pág. 88
“Rio Pardo – Rio de grande importância para a colonização do Vale do Rio Pardo. (...) Em suas margens foram fundadas, em 1632, [três] reduções jesuíticas [padres espanhóis que buscavam aldear índios da região, catequizando-os] (...). [Rio Pardo é] Um dos quatro primeiros municípios do Rio Grande do Sul. O início do povoamento de sua sede ocorreu por volta de 1750 [com a forte e fundamental presença de lusos e afros]. (...) A história de Santa Cruz do Sul está intimamente ligada à história de Rio Pardo, de quem desmembrou-se em 1878 [quase 30 anos após a introdução dos primeiros colonos imigrantes em Linha Santa Cruz].” –pág. 94-95
“Santa Cruz – (...) Colônia, instalada em 1849, pelo Governo Provincial, em terras devolutas de Rio Pardo. Os lotes foram medidos às margens da Picada de Santa Cruz [trabalho esse realizado sob o comando do engenheiro português Frederico Augusto de Vasconcellos Almeida Pereira Cabral], que dava acesso à Fazenda Santa Cruz [de propriedade de João Marcos Vieira], no atual município de Lagoão. (...) No dia 4 de novembro de 1854, Francisco Cândido Menezes [Capitão Tenente d’Armada] e seu auxiliar José Luís Teixeira Lima iniciaram os trabalhos de medição das primeiras quadras na atual área urbana de Santa Cruz do Sul. Esta área foi desapropriada, em 1852, dos herdeiros de João Faria da Rosa [cujo avo foi o primeiro morador da hoje cidade de Santa Cruz do Sul, proprietário de afros escravizados]. (...) No dia 28 de setembro de 1878 foi instalada a Câmara Municipal, quando foram emposados os primeiros vereadores: Joaquim José de Britto, Carlos trein Filho, Roberto Jäger, Pedro Werlang, Jorge Luiz Eichenberg, José Lopes Simões e Germano Hentschke. (...).” –pág. 96-97
“Travessa – Picada, denominada pelos imigrantes de Querpikad. (...) Ali também residiram algumas famílias de origem holandesa.” – pág. 109-110
“Ziegenpikade – Picada Cabrito – Pequeno povoado, colonizado por agricultores alemães (...). Também João Furtado foi um dos pioneiros. A localidade está situada no Travessão Dona Josefa [cuja denominação se refere a Josefa Maria Branca Guedes Pinto, antiga proprietária de terras na região].” –Pág. 119
#SANTA CRUZ DO SUL – DE COLÔNIA A FREGUESIA: 1849-1859 – Hardy Elmiro Martin – obra publicada em 1979 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC) dentro da Coleção História de Santa Cruz do Sul
"Segundo os estudos realizados pela equipe de pesquisas do Museu do Colégio Mauá, a Região em que encontra a atual cidade de Santa Cruz do Sul foi, primitivamente, habitada por indígenas pertencentes à: Fase Rio Pardinho (...). Conforme atestam as localizações dos sítios estudados, este grupo usou os vales dos arroios e rios, principalmente do Rio pardo, do Rio Pardinho, do Francisco Alves (Plumps) e outros, como vias de penetração, em nossa Região." - pág. 12
"Ainda devemos considerar que havia na Região de Santa Cruz, em princípios do século XVII, três reduções jesuíticas [ou seja, índios aldeados por padres espanhóis]: Jesus Maria, no atual município de Candelária, São Joaquim, próximo às nascentes do Rio Pardo; São Cristóvão, na confluência dos Rio Pardo e Pardinho." - pág. 13
"(...) O Governo Provincial e a Câmara de Rio Pardo [formados em sua quase totalidade por quadros luso-brasileiros] continuavam vivamente interessados em conseguir contato permanente entre a cidade permanente entre a cidade e os campos de Cima da Serra. Por conseguinte, não foi difícil conseguir a aprovação da Lei nº 11, de 6.12.1847 - Manoel Antonio Galvão, Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a Lei seguinte: Art 1º - O Presidente da Província é autorizado a contratar a abertura de nova estrada entre os município de Cruz Alta e Rio Pardo [passando e viabilizando a futura Linha Santa Cruz, local da colocação dos primeiros imigrantes na região de Santa Cruz do Sul], com Delfino dos Santos Moraes (...)." - pág. 28
"Engenheiro [português] Frederico Augusto de Vasconcellos Almeida Pereira Cabral (...) É um nome muitas vezes esquecido quando falamos da História de Santa Cruz do Sul. No entanto é de importância ímpar, pois foi ele o demarcador dos lotes colonias. (...) 'Bacharel Formado na Faculdade de Filosofia pela Universidade de Coimbra, com curso em Matemática Puras e Mecânicas na mesma Universidade, dedicou-se a Engenharia Civil, e prestou neste ramo das Ciências Aplicadas serviços à Companhia de Obras Públicas de Portugal (...)' Deve Ter sido com muita satisfação que a Província logo aproveitou os serviços de tal Engenheiro, pois na época era raro encontrar pessoas tão preparadas. E relamente o Engenheiro Cabral teve destacada atuação em Rio Pardo, em Santa Cruz, em Triunfo e em Arroio dos Ratos." - pág. 31
"Em outubro de 1850 foi nomeado como vice-diretor [que fez o papel deprimeiro administrador] da Colônia de Santa Cruz o Sr. Evaristo Alves de Oliveira.” – pág. 37
"Rio Pardinho (...) Foi inicialmente chamada de Picada Nova. Como já vimos estava ligada à Picada Santa Cruz pelo Travessão ou Linha Travessa ou 'Querpikade'. Neste Travessão foram também alojados alguns imigrantes holandeses, como Dark Noy, Gerhard Nyland e Bernhard Hackenhaar."
"Verificação da Navegabilidade do Rio pardinho (...) Preocupação constante para os colonos era a distância entre a Colônia e a cidade de Rio Pardo. (...) A navegação... estava ali o Rio Pardinho. (...)Todos afirmaram ao Juiz [de Rio Pardo] não ser difícil conseguir a navegação, livrando-se o Rio Pardinho de algumas tranqueiras e de dois saltos pequenos (...). Os encarregados [de realizar o serviço] foram os seguintes: José Leite Maciel - casado, natural de São Paulo; José Maria de Jesus - casado, natural de São Paulo; Gottlib Parnow - viuvo, natural da Pomerânia; Guilherme Schneiders - casado, natural da Prússia, Frederico Jandrey, solteiro, natural da Prússia; e o crioulo de nome Januário, escravo de Dona Joaquina Cardoso. (...) Todos os documentos relativos ao fato tem a data de 28.3.1853." - pág. 89
"Em princípios de 1855, ou talvez já em fins de 1854, o Capitão Tenente d'Armada Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou os trabalhos de medição do local da hoje cidade de Santa Cruz do Sul. A esta Pessoa devemos o traçado de nossas ruas, a localização da Praça (hoje Praça Getúlio Vargas) enfim, o traçado moderno da hoje Capital do Fumo." - pág. 99
"A primeira concessão de terreno na Povoação [hoje cidade de Santa Cruz do Sul] ocorreu aos 19.3.1855 (...) Guilherme Lewis [imigrante inglês], Ricardo Antônio Dutra, Frederico Hansel, Jorge Silberschlag, Adan Reis, Martinho Haas, Jacob Krug e tantos outros também obtiveram lotes." - pág. 101
"Colonos Belgas (...) Em julho de 1855 o Diretor Buff [segundo administrador da Colônia de Santa Cruz, imigrante alemão chegado ao Brasil em 1824, residente em Rio Pardo, casado com a rio-pardense Josefina de Melo Albuquerque] estava à espera de colonos belgas, vindos da Antuérpia (...). (...) Os belgas chegaram, olharam os lotes que lhes haviam sido destinados mas poucos ficaram [isso significa que pelo menos mais de um belga ficou em Santa Cruz!]. Estes lotes ficavam na Linha Bom Jesus, na estrada que levava para Dona Josefa. (...)."
"O Capitão Tenente Menezes [responsável pela demarcação da povoação da hoje cidade de Santa Cruz do Sul] é favorável ao requerimento de diversos, pedindo lotes na Povoação: José Maria Vedódio, natural do Paraguai, casado; Paulo da Cunha, casado. - pág. 103
"Em julho [de 1856] chegavam mais 69 colonos; em setembro mais 15; entre eles João Nicolau Assmann. Depois, José Ferreira Machado, português, casado; João Nepomuceno, português, casado com brasileira; Polycarpo José da Costa, português casado com brasileira. Todos pedem terras na Picada de Santa Cruz, perto da serra, onde pretendem dedicar-se à agricultura e extração da erva-mate." - pág. 109
"(...) Uma vez criada a Paróquia de Santa Cruz, foi o primeiro pároco o P. Manuel José da Conceição Braga, nomeado em 6.6.1860, portanto, um ano e meio depois da elevação a Freguesia. (...)" - pág. 120
"(...) a 14.6.1859, Santa Cruz recebe um destacamento policial, composto de um cabo e dois soldados, ficando a força à disposição do subdelegado Antonio Eloy da Silva Câmara. (...)" - pág. 121
"Em 10 de março do mesmo ano [1859, quando Buff pede exoneração], Antônio Prudente da Fonseca é nomeado Diretor [portanto, o terceiro administrador da Colônia de Santa Cruz] (...). - pág. 123
"Colonos estabelecidos durante a Direção de Prudente da Fonseca [ou seja, a partir de 1859] (...) Em São João (...) Anna Maria Reis Col. nº 144, 8/8 (...) Em Ferraz (...) Julião de Oliveira Col. nº 16 e 17 é Posse antiga (...)" – pág. 127
#A CAMPANHA DE NACIONALIZAÇÃO DO ESTADO NOVO EM SANTA CRUZ (1937-1945) – Maria Hoppe Kipper – obra publicada em 1979 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC) dentro da Coleção História de Santa Cruz do Sul
“Como aos colonos era proibida pela Lei Provincial nº 183, de 13 de outubro de 1850, a posse introdução de escravos [embora havendo precedentes para imigrantes chegados antes desta data e descendentes nascidos no Brasil, além dos lusos, que poderiam servir-se de escravos], raros foram os indivíduos de cor que viveram em Santa Cruz antes do final do século [a autora indica que havia negros nos primeiros tempos da introdução dos colonos imigrantes na região, mesmo que em número reduzido em relação aos europeus]. Após a abolição, estes poucos aumentam de número, estabelecendo-se especialmente em áreas da periferia da cidade, para onde vierarm atraídos por sua prosperidade, mas sempre foram discriminados pelos descendentes dos imigrantes, que os consideravam indolentes, imprevidentes e pouco higiênicos [!].” –pág. 14
“Além dos imigrantes e seus descendentes, também ajudaram na colonização, exercendo via de regra funções públicas e servindo, portanto, de ligação entre imigrantes e o governo, alguns elementos luso-brasileiros que já viviam anteriormente na região ou que se transladaram de Rio Pardo [de novo a autora indica a presença de outra etnia, além da teuta, no processo de colonização na região de Santa Cruz do Sul].” –pág. 14
“A atitude antipática dos subprefeitos [de Santa Cruz do Sul] para com a população [de origem teuta durante a campanha nacionalista do Governo Vargas – 1937-1945] não foi regra geral, pois a população do antigo distrito de Vila Tereza e do distrito de Monte Alverne recordam seus suprefeitos [Pedro de Souza Alves e José Ferrugem, respectivamente], ambos de origem lusa, exerciam com tato e moderção suas atribuições (...).” – pág. 42
“Por ocasião da implantação da Colônia de Santa Cruz a região já era hábitada por alguns elementos da cultura luso-brasileira.
Com o desenvolvimento da colonização alemã, brevemente estes elementos lusos passaram a constituir uma minoria insignificante [!] dentro de uma área onde a população de origem alemã constituía uma maioria bastante homogênea. Nas zonas interioranas, via de regra o elemento luso ficou marginalizado (...) [mesmo reforçando a inferioridade numérica, a autora volta a confirmar a presença lusa na região, mesmo antes da introdução dos imigrantes europeus a partir de 1849]”. –pág. 43
“Na cidade, desde o início, a participação dos elementos de origem lusa foi maior. Estes em geral ocupavam cargos públicos na administração municipal, na justiça, polícia, cartórios, exatorias, e eram bem considerados pelos imigrantes. (...)” –pág. 43
“Quando começa a se expandir o setor industrial, começam a afluir para a cidade muitas pessoas a procura de empregos, (...) surgindo na periferia da cidade os bairros operários, constituídos em sua maioria por elementos lusos. (...) –pág. 43
#PRÉ-HISTÓRIA DO VALE DO RIO PARDO – A HISTÓRIA DOS PRIMEIROS HABITANTES – Pedro Augusto Mentz Ribeiro – obra publicada em 1993, impresso na Gráfica Kirst (iniciativa do autor)
“O motivo principal de ter sido escrito este livro é (...) resgatar a verdade. Esta reside no fato de que os primeiros habitantes da região [incluindo Santa Cruz do Sul], como também da América, foram aqueles que convencionalmente chamamos de indígenas. E esta história de aproximadamente 10000 [dez mil] anos é ignorada, esquecida quando da reconstituição do passado dos vários municípios que integram a Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (AMVARP).” –pág. 4
“O próprio vale do rio Pardo tem uma planta autóctone [planta nativa], cultivada e utilizada antes da chegada dos europeus [pelos povos indígenas da região de Santa Cruz do Sul], a base de sua economia: o fumo ou tabaco (Santa Cruz do Sul, a Capital do Fumo). (...)
No processo de miscigenação, existe a grande possibilidade de muitos de nós [santa-cruzenses e de outos municípios do Vale do Rio Pardo], de sobrenome lusos, apresentem uma (boa) parcela de sangue indígena. (...)” –pág. 5
“Os primeiros europeus que ocuparam a região foram os jesuítas espanhóis [chegados aqui em torno de 1634]. Em suas três reduções [locais onde os índios da região eram atraídos com o fim de serem catequizados] na área [do Vale do Rio Pardo] são aldeados os guaranis.” –pág. 8
“Pelos dados que dispomos, os primeiros povoadores do vale do rio Pardo foram os portadores do material definido como Tradição Umbu [ou seja, conjunto de técnicas de manufatura e sobrevivência usados por um determinado grupo indígena], regionalmente denomominada de fase do Rio Pardinho. Vieram possivelmente do sudoeste do Estado e, acompanhando a encosta do planalto, alcançaram o vale em estudo [estima-se que por volta de 10 mil anos atrás, ou seja, 8 mil a.C.].” –pág. 9
“Aproximadamente na época do descobrimento do Brasil, surgem no médio rio Pardo os portadores do material da fase Botucaraí, da Tradição Tupiguarani ou Subtradição Guarani. (...) Os sítios [locais de ocupação indígena] estiveram assentados, inicialmente, na várzea do rio. Após foram para locais mais elevados da região entre os rios Pardo e Pardinho; em movimentos ou deslocamentos, seguiram até o Jacuí, próximo a cidade de Rio Pardo, subiram o Pardinho até a altura de Santa Cruz do Sul (...).” – pág. 31
“A região do vale do rio Pardo pertenceu, inicialmente, à Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas. (...) Até 1634 foram fundadas [no território do Rio Grande do Sul, por padres espanhóis] 18 reduções [aldeias para catequisação de indígenas], sendo as mais avançadas as do vale do rio Pardo (margem direita): São Joaquim, Jesus Maria e São Cristovão. (...) Antônio Raposo Tavares, bandeirante paulista, atacou-as em fins de 1636. (...)” –pág. 43-44
“A colonização européia [não considerando as reduções dos padres espanhóis como estruturas de colonização] do vale do rio Pardo [onde está Santa Cruz do Sul] iniciou-se com a vinda de imigrantes portugueses que se estabeleceram [a princípio] na zona de campo, ao sul, na primeira metade do século XVIII [entre 1700 e 1750].” – pág. 46
#RECORTES DO PASSADO DE SANTA CRUZ – Hardy Elmiro Martin – obra organizada e atualizada por Olgário Vogt e Ana Carla Wünsch, publicada em 1999 pela Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul (EDUNISC)
“Quando o imigrante alemão chegou [pelo menos as primeiras levas, e considerando que muitas “promessas” não foram cumpridas ou demoraram a se concretizarem] recebia os seguintes favores do Governo [Provincial do RS, composto por esmagadora maioria de lusos]: alimentação para um mês; sementes várias; mais as seguintes ferramentas (para todos os imigrantes do sexo masculino maiores de 16 anos): [segue uma lista com 14 ferramentas, dois tipos de panelas e materiais de caça] (...).
Ficavam os imigrantes obrigados a providenciar as escrituras das terras presenteadas pelo Governo (...).” –pág. 17-18
“Naquela época, 1851/1852, já era plantado o fumo, com sementes vindas de Cuba/Havana, por iniciativa do Governo Provincial [do RS, composto por esmagadora maioria de lusos]. –pág. 22
“Já escrevemos que a 25 de novembro de 1852, pela Lei nº 248, o Vice-Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Dr. Luiz Alvez Leite de Oliveira Bello, mandara desapropriar terras da herança de João Faria para estabelecer as bases da Povoação [originária da hoje cidade de Santa Cruz do Sul]. Esta desapropriação tornou-se necessária, pois esta área não era devoluta, isto é, tinha dono.
Porém, somente em 4 de novembro de 1854 o Capitão Tte. d’Armada, Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou efetivamente os trabalhos, auxiliado por José Luiz Teixeira de Lima. Tudo conforme cartas de Castro Menezes [nesta época, administrador da Colônia de Santa Cruz], com data de 21 de abril de 1855, ao Presidente da Província.” –pág. 25
“A partir de 1861 os colonos imigrantes eram enviados a Mont’Alverne [hoje distrito de Santa Cruz do Sul], na maioria das vezes por via fluvial – Rio Taquari – até o porto da fazenda do Capitão João Francisco Fernandes, e dali, por terra, até a moradia do Sr. Joaquim da Cruz, em estrada aberta por iniciativa da Câmara Municipal de Taquari [município de forte presença açoriana]. Da propriedade deste Sr. Cruz, eram os imigrantes, depois, levados a Mont’Alverne. Parece que houve problemas neste trajeto, pois a Província, a 27 de 1861, encarregou o Major de Engenheiros Cândido Januário de Passos, de melhorar, com urgência, a picada que ligava Santa Cruz a Mont’Alverne.”
(...) Mont’Alverne (...) continuou Colônia, tendo seus Diretores, sendo um dos últimos o Sr. Antônio de Azambuja Villanova Filho.” –pág. 36-37
“Aos 17 de outubro de 1900, chegavam a Santa Cruz 90 cearenses enviados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, para serem alojados em terras devolutas: 16 homens com suas mulheres, e crianças. Vinham a Santa Cruz para serem colonos. Deveriam ser alojados em Herval Baixo (...).
Era intendente de Santa Cruz o Dr. Adalberto Pita Pinheiro. Quando os cearenses chegaram a Santa Cruz foram alojados inicialmente no edifício da Câmara [de Vereadores, no centro da cidade]. (...)
Em levas contínuas os cearenses [após algumas mortes por doença] foram depois levados à Serra [possivelmente o autor se refere a região da Linha da Serra], sendo que os últimos partiram daqui [centro de Santa Cruz] na segunda quinzena de dezembro de 1900.” –pág. 43-44
“(...) na Mensagem apresentada ao Conselho Municipal de Santa Cruz, aos 15 de outubro de 1900, o intendente Adalberto Pitta Pinheiro, dizia que continuavam a ser feita regularmente a iluminação pública. (...)
Na mensagem apresentada a 15 de outubro de 1902, pelo mesmo intendente Pitta Pinheiro, este dizia: Está em estudo projeto de iluminação elétrica da Vila (...).
(...) a 1º de outubro de 1904, firmou-se o contrato com o Sr. Melchior, contrato este que foi modificado por outro assinado a 31 de agosto de 1905, quando já era intendente o Sr. Galvão Costa.” –pág. 50-51
“(...) em 1909, pelo Intendente João Gomes Cardoso, consta que a cidade de Santa Cruz era iluminada por 73 lâmpadas [elétricas] (...). Em 1911 o Sr. Henrique Melchior propõe à Intendência ceder o privilégio da iluminação, mediante a venda ao poder Público da Usina de sua propriedade. O então intendente, Sr. João Gomes Cardoso, manda levantar relação das existências da Usina e demais material da rede de pertences [a Intendência começou a administrar a usina e o serviço de eletricidade em 1º de janeiro de 1912].” –pág. 54
“E junho de 1906, a empresa do Coronel João Ganzo Fernandes prontificou-se a estabelecer uma rede telefônica na cidade de Santa Cruz. A 12 de junho do mesmo ano, o Intendente Galvão Costa mandou publicar edital chamando a concorrência pública para tal serviço [ganha pela empresa referida].” –pág. 75
“Aos 16 de março de 1907 [quase um ano após o início do serviço de telefonia em Santa Cruz], o Sr. Samuel Canosa, incansável representante da firma do Cel. Ganzo Fernandes, nesta cidade, comunica à Comunidade que a partir da data acima, não é representante da referida firma.” –pág. 77
“Assumiu então a Intendência de Santa Cruz o Dr. Adalberto Pita Pinheiro que passou a trabalhar incansavelmente para que Santa Cruz tivesse a sua ferrovia. (...)
No dia 22 de setembro de 1905, foi colocado o último trilho no ramal Couto/Santa Cruz e ainda no mesmo dia, às 16 horas, perante verdadeira multidão muito alegre, chegou o primeiro trem a Santa Cruz.
(...)
A passagem número 1 foi vendida ao Sr. Raul Santos. O primeiro agente da Estação Ferroviária de Santa Cruz foi o Sr. Leôncio Cabral.
A Solenidade inaugural da estação e do ramal ocorreu a 19 de novembro de 1905, com a presença do Dr. Augusto Borges de Medeiros, Governador do Estado e de luzidia comitiva. Nesta data a Vila Santa Cruz foi elevada à categoria de cidade.
O prédio da Estação, em Santa Cruz, foi construída na área comprada de Carlos Trein Filho e outra pequena fração de terra do Sr. Cirino Abdom da Silva Branco.” –pág. 82-83-84
OBS.: Na página 81, onde inicia o artigo sobre o Ramal Ferroviário de Santa Cruz, há uma foto interessante da inauguração do referido ramal em 1905: nela aparecem cerca de 20 (vinte) negros, vários deles empunhando pás, indicando a presença dos trabalhadores/as de origem afro em obras de infra-estrutura fundamentais para o desenvolvimento de Santa Cruz do Sul.
“(...) Isto [o surgimento do Colégio Distrital, a primeira escola pública estadual em Santa Cruz do Sul] ocorreu a 14 de fevereiro de 1902, contando com a presença do Inspetor Geral do Ensino do Estado, Dr. Manuel Pacheco Prates, festivamente recebido.
Na fundação do Colégio Distrital merecem destaque os esforços do Intendente Adalberto Pita Pinheiro e do chefe republicano local, Sr. Vasco de Azevedo, cujos apelos encontraram junto ao Dr. Borges de Medeiros e Dr. Júlio de Castilhos (este visitou Santa Cruz em 03/06/1897).
(...)
O primeiro diretor [da escola] foi o Prof. Balthazar dos Santos Paz (01/05/1902), sendo professores Luise Stein e Estelita Pinheiro Porto. (...)” –pág. 116
“O cinema foi, pouco a pouco, conquistando o público. Por volta de 1914 o Sr. Nestor Jorge de Souza Brandão comprou máquina para exibir filmes, na cidade e no interior do município.” –pág. 120
“Em janeiro de 1925 começou a funcionar este cine [o Cine-Theatro Gymnastica], no Salão de Festas da Sociedade Gymnastica, sob a responsabilidade do Sr. Armando Ferreira.” –pág. 121
“No dia da inauguração [do Estádio Futebol Clube Santa Cruz], 7 de setembro de 1923, o discurso foi proferido pelo Sr. Itiberê da Cunha.
#OS COLONOS ALEMÃES E A FUMICULTURA: SANTA CRUZ DO SUL, RIO GRANDE DO SUL 1849-1881 – Jorge Luiz da Cunha – obra publicada em 1991 pela Livraria e Editora da FISC (Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul)
“(...) ‘Relação das datas de terras concedidas na Picada Santa Cruz, com declaração das datas dos títulos de concessão das pessoas que as obtiveram e da quantidade de braças:
Em 10 de outubro de 1850 – ANTONIO JOZÉ B. MACHADO, uma área de ¼ de légua quadrada ou 2.250.000 braças quadradas.
Em 12 de outubro de 1850 - JOAQUIM BAPTISTA DA SILVA, idém. – JOSÉ PINTO DA FONSECA GUIMARÃES, idém.
Em 10 de dezembro de 1850 - PEDRO KLEUDGEN*, idém. – JOÃO SEVERINO PESSOA DE ANDRADE, uma data de terra nos matos da estrada do Rio Pardo para Cima da Serra e uma das margens do arroio Taquari Mirim com ¼ de légua de frente por uma dita de fundos. – CANDIDO JOSÉ DA COSTA, uma data no mesmo lugar com ¼ de légua. – ANTONIO ROIZ DE CASTRO, uma data no mesmo lugar com ¼ de légua.
Em 14 de dezembro de 1850 – FELIPE KELM, uma data no mesmo lugar com o mesmo ¼ de légua.
Em 23 de dezembro de 1850 - GASPAR PINTO BANDEIRA, uma área de ¼ de legua quadrada ou 2.250.000 braças quadradas. – FRANCISCO CANDIDO DE CASTRO MENEZES, ídem.
Em 24 de dezembro de 1850 - FELIPE DE NORMANN**, idém. LUIZ ANTONIO BOTELHO DE CARVALHO, idém. – JOAQUIM DA CRUZ FERREIRA SOARES, idém. – LUIZ MANOEL MARTINS DA SILVA, idém.
Em 25 de fevereiro de 1851 - MARCOLINO JOSÉ DE SOUZA, idém. – FRANCISCO PEREIRA CALDAS, idém. – ANTÔNIO JOZÉ DE ARAUJO BASTOS, idém. – FRANCISCO PINTO DE CARVALHO, idém. – JOZÉ CANDIDO ROIZ FERREIRA PEREZ, idém.
Em 15 de março de 1851 - JOAQUIM BALBINO CORDEIRO, idém. – FREDERICO HEYDTMANN***, idém. (...).’ [Obs.: listagem retirada pelo autor, prof. Jorge Cunha, de documento encontrado na caixa 286 – Santa Cruz – Arquivo Histórico do RS.]
Como se vê, são distribuídos 21 títulos de posse, somando a apreciável quantia de 47.250.000 braças quadradas na área da picada que dá origem à colônia de Santa Cruz, o que equivale a cerca de 22.869 hectares concedidos a elementos de tradicionais famílias de Rio Pardo e Porto Alegre ligados ao governo provincial.” [Obs.: Os nomes assinalados com asteriscos (*) na lista acima são de alemães que trabalharam para o governo provincial do RS naquela época.] –pág. 77-78
“(...) Monte Alverne [atual distrito de Santa Cruz do Sul], [foi] fundada em terras devolutas e ervais dos índios da aldeia de São Nicolau (Rio Pardo). (...) Com a valorização das terras em torno da colônia de Santa Cruz, os matos e ervais pertencentes aos índios da aldeia de São Nicolau de Rio Pardo, com cerca de 2.000.000 de braças quadradas (968 hectares), são considerados devolutos e loteados, passando a fazer parte da colônia de Monte Alverne, apesar da solicitação do Diretor Geral dos Índios da Província – José Joaquim de Andrade Neves (Barão do Triunfo) encaminhada ao presidente da Província para que estas terras não fossem loteadas. (...)” –pág. 106
“A colônia de Santa Cruz continua crescendo muito. Em 1863 o então diretor Carlos Schwerin, efetuando medidas na serra ao norte das Linhas Ferraz e São João, comunica que por ali pode ser construída uma estrada de rodagem que permita o acesso às terras devolutas de Cima da Serra e aos mercados das povoações do planalto. Contudo, o que chama a atenção no ofício em que dá notícias ao Inspetor Geral das Colônias é a comunicação de que havia encontrado ‘... os vestígios, que existem por dentro destes matos um quilombo numeroso [local onde se refugiavam negros escravos rebelados], cuja destruição é tanto necessário, que a colonização de Santa Cruz há de se estender por este lado até chegar em Cima da Serra.’ (...)” – pág. 107
“Finalmente, a colônia de Santa Cruz é emancipada por ato do presidente [da província do RS] José Fernandes da Costa Pereira Júnior, de 8 de novembro, em cumprimento do artigo 16, título 4º da lei nº 807 de 30 de outubro de 1872, aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial que cede às pressões da Câmara Municipal de Rio Pardo [comunidade esta com esmagadora presença de lusos, que dominam as instituições governamentais e outras nesta época].” –Pág. 109
“Examinando as informações contidas no cadastramento relaizado por Carlos Trein Filho, conclui-se, excluídos os nascidos no Brasil [excluindo assim também colonos de outras partes do país], que 90% dos habitantes [estrangeiros em 1879, época do cadastramento] da Colônia de Santa Cruz haviam nascido em território do Reino da Prússia (...). Outros 0,55% são naturais, seis da Holanda, um da Bélgica e um da Suiça (Tirol). –Pág. 113
“(...) Somente na povoação [de Santa Cruz] é possível encontrar, no mesmo ano [1857], um torneiro (em madeira), um tanoeiro e uma olaria que ocupa dois oleiros e alguns escravos do inglês Guilherme Lewis [primeiro morador a edificar residência no povoado, casado com a rio-pardense Dona Carlota]. A Lei Provincial nº 183 de 18 de outubro de 1850 proíbe a introdução e a permanência de escravos no território da Colônia. Contudo, em fins do de 1857 o Diretor João Martin Buff informa em seus mapas estatísticos a existência de 21 escravos, sendo 13 do sexo masculino e 8 do sexo feminino, dando indicações de sua procedência: ‘...os ditos escravos pertencem as seguintes famílias: A herdeiros de Vasco Jozé da Silveira, estabelecido em terras de sua propriedade, muito anterior a fundação da Colônia; a Guilherme Lewis na forma dita, distante da povoação ¾ de légua, com quanto se acha atualmente na dita povoação, por ser o arrematante da edificação na dita capela; ao Sr. Antonio Ignacio da Silva, que tem só duas escravas de serviços domésticos, único com colônia, na qual faz plantação com braços livres; e a Evaristo Alves de Oliveira, em terras de sua propriedade, encravadas na Colônia.’ (...)” –Pág. 154-155
#O NASCER DE SANTA CRUZ DO SUL EM RÁPIDAS PINCELADAS – Leandro Telles – texto incluso no álbum “Centenário de Santa Cruz do Sul –1878-1978”, obra com a direção-geral de Romeu Bacchieri e impresso pela Amrigs Gráfica e Editora Ltda.
“É o Pe. Theodor Amstad que nos explica a hipotética origem da denominação [de Santa Cruz]. Diz ele que na época da fundação da colônia vivia no Faxinal um “brasileiro” de nome Cruz. Mantinha uma pequena venda no local e, ainda, a título de “defesa”, fazia medições e indicava aos imigrantes as suas respectivas colônias. Esse tal de Cruz tornou-se popular entre os colonos, ainda mais se considerarmos que a venda, até os dias de hoje, sempre foi um ponto de atração na colônia alemã (...).” –Pág. 9
“Quanto ao culto católico em Santa Cruz, em 1861, escreve Tschudi: ‘O sacerdote católico Manoel Vieira da Conceição Braga [primeiro pároco do então Faxinal] é português e não sabe se comunicar com os colonos de língua alemã (...)’. (...) O Pe. Braga fora nomeado pároco em 6.6. 1860, um ano e meio após a povoação ser elevada a Freguesia, pela Lei nº 432, de 8.1.1859. (...)” –Pág. 27
“Quanto a construção do templo católico [o primeiro a se erguer na hoje cidade de Santa Cruz do Sul, em frente e anterior a atual Catedral] (...) em 1855, o governo provincial abriu concorrência (...) adjudicada a Guilherme Lewis, americano [Obs.: conforme outros diversos pesquisadores , Lewis era imigrante inglês, não americano], ‘homem ativo e empreendedor, e de inteligência bastante cultivada para o tempo’ ([conforme João Bittencourt de] Menezes), antigo proprietário da Fazenda São João da Serra, fazenda muito importante, também pela extensão de suas terras, que abrangia a maior parte do Rincão D’El Rei e que se destacava, igualmente, pelo matagal situado entre o Arroio Pedroso, Rio Pardinho e Arroio das Pedras. A o tempo que Menezes redigiu sua obra ainda existia “a grande e velha casa da fazenda” provavelmente em estilo colonial (barroco) luso-brasileiro. Lewis foi o primeiro a edificar uma casa na povoação de Santa Cruz, no terreno nº 1 da quadra H, a ele concedido em 1855.” –Pág. 29
“(...) os colonos eram atendidos pelo [médico] dr. Antonio Ferreira de Andrade Neves, conforme se depreende do ofício de Buff [administrador local da colônia] (...). Salvo melhor juízo, o dr. Andrade Neves foi o primeiro médico de Santa Cruz. Julio Laun, em 1859, seria o primeiro médico a residir em Santa Cruz. Mas o primeiro a atender os colonos foi o dr. Antonio [nascido em Rio Pardo em 1808,onde também faleceu em 1890, tendo estudado medicina na França] (...).” –Pág. 29-30
“Enquanto a colônia progredia no alto da serra, o vale já era observado como futura sede da povoação. Pela Lei nº 246, de 25.11.1852, foram desapropriadas terras da herança de João Faria, um quarto de légua de campo e faxinais, que seriam anexados à colônia de Santa Cruz. Entretanto, somente em princípios de 1855, o Capitão da Armada, Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou a medição do local onde hoje se assenta a laboriosa cidade de Santa Cruz. Na verdade, as terras haviam sido vendidas por João de Faria ao comendador Antonio Martins da Cruz Jobim, mais tarde Barão do Cambaí. (...) Vamos agora reproduzir os nomes dos primeiros concessionários em cada quadra que foram, portanto, os primeiros moradores da primitiva poviação [da hoje cidade de Santa Cruz do Sul]: [Obs. Na listagem que segue, enumerando as quadras, sua localização e respectivos donos, tem-se mais de 80 pessoas com sobrenomes tipicamente luso-brasileiros num listagem com um total de 164 concessionários, cerca de 50% da população naquela época que requisitou terrenos em Santa Cruz do Sul não era de origem alemã, sem considerar que há outros sobrenomes típicos de gente de outros países, caso de Lewis, da Inglaterra]. –Pág. 33-37
#HEINZ VON ORTENBERG, MÉDICO DO KAISER E DE SANTA CRUZ DO SUL – Lendro Silva Telles – obra publicada em 1980 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC)
“(...) ‘O trabalho mecânico nas fábricas (Santa Cruz [do Sul]) é confiado aos brasileiros-negros e mulatos – e o trabalho que demanda inteligência é executado por alemães.’ (...)” [Obs. O trecho é citado pelo autor, referindo-se a obra do pastor evangélico Siegfried Heine entitulada “Como Pastor Alemão e Diretor de Escola no Sul do Brasil”; a situação nas fábricas se refere provavelmente ao final dos anos 30 do século XX.] –Pág. 166
“(...) Ortemberg [médico de origem alemã que clinicou em Santa Cruz do Sul] diz o seguinte: quando se fundou uma célula do Partido [nazista] em Santa Cruz, não pode [ele, Ortemberg] se filiar à mesma, porque ‘era composta de elementos que, em sua maioria, não honravam o seu apelido [sobrenome] alemão’. Alcoólatras, que em virtude de seus excessos já tinham sido presos pela ‘polícia negra’ (Negerpolizei, no original; certamente, o termo é usado para ‘captatio benevolentiae’ junto a GESTAPO [polícia na Alemanha nazista, que prendeu o referido médico durante um período da “2ª Guerra Mundial”]).” (...) –Pág. 168
“ ‘(...) O significado econômico da cidade, porém, reside no próspero comércio de fumo, que está na mãos alemãs e norteamericanas. (...) Os trabalhadores nas fábricas, na medida em que forem exigidos trabalhos mecânicos, são brasileiros, negros e mulatos. Para tarefas mais difíceis e de maior responsabilidade, de bom grado, são empregados alemães. (...)’. ” [Obs.: Trecho citado pelo autor retirado do artigo “As minorias Alemãs no Mundo – Santa Cruz, Uma Pérola da Colônia Alemã no Sul do Brasil” publicado provavelmente entre a década de 30 e 40 do século XX no “Volkischer Beobacher” – jornal vinculado ao partido nazista.] –Pág. 172
#ECONOMIA, POLÍTICA E RELIGIÃO EM SANTA CRUZ DO SUL NA REPÚBLICA VELHA – Silvana Krause – dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciência Política – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – novembro de 1991
“O jornal Kolonie (21.02.1891) também menciona a religião da população de Santa Cruz, dizendo que nesta época havia no município um total de 15.572 habitantes, distribuídos assim: - brancos: 13.584; - de cor: 1.987; - protestantes: 7.049; católicos: 8.502; sem religião: 21.” [Obs.: esses números dizem que 12, 76% dos santa-cruzenses da época eram “de cor”, isto é, negros ou talvez mestiços diversos com pele escura. Interessante também é notar que a estatística é publicada há menos de três anos da “abolição da escravatura” (13/05/1888)! Pode-se inferir que diversos, senão grande parte, quiça a totalidade dos “de cor” eram trabaldores/as negros/as escravizados/as...] –Pág. 211
“(...) [Segue abaixo de uma tabela relacionando anos – de 1913 a 1929 –, número de habitantes e religião (católicos e acatólicos) a seguinte observação da autora] Obs.: Devemos considerar que nestas tabelas, até 1918, é incluído Monte Alverne. Também é contabilizada a região serrana [de Santa Cruz do Sul da época], onde praticamente só existem populações de descendência não-alemãs. (...)” –Pág. 212
“(...) Em 1926, os dados acusam que haviam 2.680 famílias ligadas à igreja luterana e 3.250 famílias católicas em Santa Cruz do Sul, sendo que das 3.250 famílias católicas, 940 eram de origem lusa, 50 de origem italiana e 3 norte-americanas. (...)” – Pág. 213
#CANDELÁRIA, SUA GENTE E SUA HISTÓRIA – ARISTIDES CARLOS RODRIGUES – EDITADO EM 1993 PELA GAZETA DO SUL S.A., SANTA CRUZ DO SUL
"Em Candelária havia muitos escravos (...) Não só os luso-brasileiros os possuíam. As leis número 143 e 183, de 27 de julho de 1848 e 13 de outubro de 1850, respectivamente, proibiam os colonos alemães de possuírem escravos. Essa proibição, logicamente, não era extensiva aos seus descendentes nascidos aqui [no Brasil], dado sua condição de brasileiros.
João Kochenborger [um dos primeiros colonizadores de origem alemã de Candelária, município vizinho a Santa Cruz do Sul, responsável pela construção do famoso aqueoduto, ponto turístico da região do Vale do Rio Pardo] comprou, em 26 de julho de 1867, do fazendeiro Estácio José Francisco Pessoa, os escravos de nome João e Felipe, com, mais ou menos, 20 e 31 anos de idade, respectivamente. Pagou por ambos a quantia de 2 contos e 400 mil réis. A 17 de agosto do ano seguinte, comprou, de Luiz Machado Teixeira, outro escravo que, também, se chamava João. Pagou por esse 1 conto e 200 mil réis. Além dos que citamos, possuía outros, pois, certa ocasião, ele vendeu, a seu sogro, João Bappen, um escravo de nome Antonio, com 14 anos de idade.
Seu genro Felipe Graeff [também um dos pioneiros germânicos em Candelária, filho do imigrante alemão Henrique Jácob Graeff] possuía 3 escravos, os quais havia comprado de Vasco Xavier da Cunha. (...)
Um escravo valia muito (...) Para se Ter uma idéia de quanto custava um escravo, basta lembrar que pouco antes de João Kochenborger haver comprado os escravos João e Felipe, pelo preço de 2 contos e 400 mil réis, ele tinha adquirido quatro colônias e meia de terras de mata virgem na segunda légua da Sesmaria do Pinhal [região de Candelária], portanto muito bem localizadas, por 1 conto e doze mil e 500 réis. Um escravo valia, pois, mais do que quatro colônias e meia de terras otimamente localizadas!" –Pág. 119
*Atualizado em 24/08/2001
APONTAMENTOS BIBLIOGRÁFICOS SOBRE A HISTÓRIA DE SANTA CRUZ DO SUL: A PLURALIDADE ÉTNICA NA FORMAÇÃO DO MUNICÍPIO
Segue abaixo alguns apontamentos, entre outros muitos e vários possíveis, de parte da bibliografia referente à história de Santa Cruz do Sul e região [boa parte com um notório “viés germanófilo”]. Tais dados buscam ressaltar, a partir da bibliografia “clássica” já existente a participação de outras etnias - além da alemã - na formação da comunidade santa-cruzense.
As palavras em negrito [ainda não marcada nesta postagem do texto], especialmente os nomes de pessoas e referências étnicas, foram colocadas por nós justamente para chamar a atenção sobre a presença e participação de outras origens geográficas, históricas e culturais no processo de desenvolvimento do município e região. Já o que está entre colchetes, são complementações para melhor compreender o fragmento pinçado nas obras e/ou assinalar alusões a etnias “não-germânicas”. Por fim, os três pontos entre parênteses são passagens que foram suprimidas dos fragmentos bibliográficos a fim de sintetizá-los conforme o nosso objetivo, ou seja, trazer à reflexão dados que indicam a pluralidade étnica presente ao longo da história de Santa Cruz do Sul.
É importante frisar que a nossa intenção não é o de negar ou menosprezar a já decantada importância dos teutos em Santa Cruz do Sul. Nossa pretensão é problematizar a questão, integrando a presença do “loiro imigrante” e da “bravura alemã” (conforme explicita o hino municipal, um dos “símbolos máximos” de Santa Cruz do Sul, que “oficializa” uma versão da história e da sociedade locais) a um contexto maior, mais complexo e abrangente; menos parcial, menos simplificado e desmitologizado. Talvez isso colabore para forjarmos ou reforçarmos uma comunidade – étnica e socialmente – mais justa e democrática.
#DICIONÁRIO HISÓRICO E GEOGRÁFICO DA REGIÃO DE SANTA CRUZ DO SUL – Armindo L. Müller – obra publicada em 1999 pela Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul (EDUNISC)
“Faxinal do João Faria – Antigo nome da cidade de Santa Cruz do Sul. Em 1796, Dona Maria, rainha de Portugal, confirmou a doação de uma sesmaria a João Faria da Rosa (...). O avô de João Faria, que tinha o mesmo nome, foi o primeiro morador de Santa Cruz. Para resguardar-se das investidas dos índios, fez cercar sua casa pelos ranchos de seus numerosos escravos. O sobrado de madeira estava coberto de telhas de barro. Seu neto, com o mesmo nome, residiu na mesma propriedade, que serviu de alojamento para os colonos imigrantes. Foi este último quem transportou os colonos até o lugar dos lotes, que lhes foram concedidos, na Picada do Abel. (...) – pág. 40
“Abel – Picada, na Colônia Santa Cruz, também conhecida como Picada Velha e Picada Santa Cruz. Antiga denominação da atual Linha Santa Cruz. Ligava o Faxinal do João Faria (a atual cidade de Santa Cruz do Sul) como Rincão de Santo Antônio, no município de Soledade. A abertura da estrada foi aprovada pelo governo provincial, em 6 de dezembro de 1847, mas a picada somente começou a ser aberta em meados de 1849. Ao redor dela, os primeiros alemães receberam os seus lotes de terra. Homenageia o tenente-coronel Abel Corrêa da Câmara, que contratou a obra, através do seu capataz Delfino dos Santos Morais. (...) [O tenente-coronel Abel] Auxiliou na demarcação de terras e organização de novas colônias, entre as quais a de Santa Cruz. (...).” – pág. 7
“Áustria – Pequena picada, na Linha Santa Cruz (...). A denominação provém do imigrante Heinrich Joseph Östereich que ali se estabeleceu por volta de 1851, juntamente com sua família. O imigrante nasceu a 7 de março de 1796, em Fulda [na Áustria] (...).” –pág. 14
“Linha Barra do Quilombo [em Vale do Sol, antigo distrito de Santa Cruz do Sul, hoje emancipado] – Neste lugar se estabeleceram pessoas muito humildes, principalmente de origem lusitana. Supõe-se que, nas cercanias, em tempos passados, tenha existido um refúgio ou quilombo de escravos [afros].
“A colônia de Santa Cruz foi fundada dia 2 de dezembro de 1849. Duas semanas depois chegaram os doze primeiros imigrantes alemães (...) [entre eles] Augusto Wutke (...) acomapnahado de suas esposa Johannna Franziska Mummert (...) e dos filhos Johann Wilhelm ((...) Era casado com a paraguaia Maria Anna Gonzales). (...). –pág. 29-30
“Dona Carlota – 1. Arroio, na localidade do mesmo nome. 2. Bairro na cidade de Santa Cruz do Sul. Carlota Leopoldina Pedroso Barreto (...) casou com o imigrante inglês, Guilherme Lewis, um dos primeiros moradores de Santa Cruz do Sul, e preferia ser chamada de Dona Carlota (...)”. – pág. 34
“Gramado Xavier – Antigo distrito de Santa Cruz do Sul (...) foi colonizado, a partir de 1930, principalmente de pessoas de origem italiana, oriundas de antigas colônias do Estado. (...) Este topônimo [Gramado Xavier] homenageia o primeiro morador da localidade Custódio Xavier, que, junto com a família Brito, eram ervateiros e posseiros em terras pertencentes à família Schmidt. Entre os primeiros colonizadores podem ser citados as famílias de João Karal, Antônio e Pedro Ferrari, Fernando Pozzebon, Tomazzi, Legramanti, Berté e outras.” –pág. 45
“Italienberg – Morro dos italianos. Antiga denominação da Linha Alto Trombudo [localidade outrora pertencente a Santa Cruz do Sul]. Nessa região se estabeleceram alguma famílias italianas, como Durante e outras.” – pág. 50
“João Alves [localidade de Santa Cruz do Sul] foi o primeiro subdelegado da povoação de São João da Santa Cruz, por volta de 1860 e 1864. Foi também o primeiro presidente da comunidade Católica [de Santa Cruz do Sul].” –pág. 52
“Juca Rodrigues – Linha colonial, que, no passado, abrangia a atual Vila Verena, o Acesso Grasel e áreas adjacentes. Compreendia, na época, os matos de Vasco José Silveira e José Rodrigues de Almeida. Hoje está localizada dentro do perímetro urbano da cidade de Santa Cruz do Sul. Juca Rodrigues era agrimensor e fazia medições de terra na Linha Santa Cruz e era mais conhecido pelo apelido de Jacuri. (...) – pág. 53
“Jacuri – Arroio (...) forma a sanga Preta. Nasce no Acesso Grasel. [Homenageia] Juca Rodrigues, apelidado de Jacuri, realizou medições de terra na Linha Santa Cruz, tornando-se pessoa muito popular e solicitada.” –pág. 53
“Lajeado – (...) Afluente do rio Pardinho, que percorre o Bairro Renascença, passando entre os cerros Nagele Pinheiro. (...) No início da colonização de Santa Cruz, ali foram resirir o português Lucas Antônio Espíndola, o paulista José Leite Maciel, e ainda Paulo da Cunha, Francisco Gonçalves da Rosa, José Cândido de Oliveira e Evaristo Alves de Oliveira. (...)” –pág. 57
“Linha Preta – Localidade no município de Sinimbu [antigo distrito de Santa Cruz do Sul], onde teriam residido, principalmente, pessoas de origem africana, isto é, de cor preta. (...) –pág. 66
“Mato Alto – Pequeno povoado, no município de Vera Cruz [originalmente pertencente a Santa Cruz do Sul] (...), onde se estabeleceu o imigrante sueco Carl Johann Tonquist. (...) nasceu no dia 31 de maio de 1833, em Gladhammar, Wertrum, na Suécia (...).” –pág. 71
“Quilombo – Pequeno arroio na divisa [de Santa Cruz do Sul] com o município de Candelária. Quilombo nada mais é do que um local de refúgio de escravos [no caso, africanos]. (...)” –pág. 88
“Rio Pardo – Rio de grande importância para a colonização do Vale do Rio Pardo. (...) Em suas margens foram fundadas, em 1632, [três] reduções jesuíticas [padres espanhóis que buscavam aldear índios da região, catequizando-os] (...). [Rio Pardo é] Um dos quatro primeiros municípios do Rio Grande do Sul. O início do povoamento de sua sede ocorreu por volta de 1750 [com a forte e fundamental presença de lusos e afros]. (...) A história de Santa Cruz do Sul está intimamente ligada à história de Rio Pardo, de quem desmembrou-se em 1878 [quase 30 anos após a introdução dos primeiros colonos imigrantes em Linha Santa Cruz].” –pág. 94-95
“Santa Cruz – (...) Colônia, instalada em 1849, pelo Governo Provincial, em terras devolutas de Rio Pardo. Os lotes foram medidos às margens da Picada de Santa Cruz [trabalho esse realizado sob o comando do engenheiro português Frederico Augusto de Vasconcellos Almeida Pereira Cabral], que dava acesso à Fazenda Santa Cruz [de propriedade de João Marcos Vieira], no atual município de Lagoão. (...) No dia 4 de novembro de 1854, Francisco Cândido Menezes [Capitão Tenente d’Armada] e seu auxiliar José Luís Teixeira Lima iniciaram os trabalhos de medição das primeiras quadras na atual área urbana de Santa Cruz do Sul. Esta área foi desapropriada, em 1852, dos herdeiros de João Faria da Rosa [cujo avo foi o primeiro morador da hoje cidade de Santa Cruz do Sul, proprietário de afros escravizados]. (...) No dia 28 de setembro de 1878 foi instalada a Câmara Municipal, quando foram emposados os primeiros vereadores: Joaquim José de Britto, Carlos trein Filho, Roberto Jäger, Pedro Werlang, Jorge Luiz Eichenberg, José Lopes Simões e Germano Hentschke. (...).” –pág. 96-97
“Travessa – Picada, denominada pelos imigrantes de Querpikad. (...) Ali também residiram algumas famílias de origem holandesa.” – pág. 109-110
“Ziegenpikade – Picada Cabrito – Pequeno povoado, colonizado por agricultores alemães (...). Também João Furtado foi um dos pioneiros. A localidade está situada no Travessão Dona Josefa [cuja denominação se refere a Josefa Maria Branca Guedes Pinto, antiga proprietária de terras na região].” –Pág. 119
#SANTA CRUZ DO SUL – DE COLÔNIA A FREGUESIA: 1849-1859 – Hardy Elmiro Martin – obra publicada em 1979 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC) dentro da Coleção História de Santa Cruz do Sul
"Segundo os estudos realizados pela equipe de pesquisas do Museu do Colégio Mauá, a Região em que encontra a atual cidade de Santa Cruz do Sul foi, primitivamente, habitada por indígenas pertencentes à: Fase Rio Pardinho (...). Conforme atestam as localizações dos sítios estudados, este grupo usou os vales dos arroios e rios, principalmente do Rio pardo, do Rio Pardinho, do Francisco Alves (Plumps) e outros, como vias de penetração, em nossa Região." - pág. 12
"Ainda devemos considerar que havia na Região de Santa Cruz, em princípios do século XVII, três reduções jesuíticas [ou seja, índios aldeados por padres espanhóis]: Jesus Maria, no atual município de Candelária, São Joaquim, próximo às nascentes do Rio Pardo; São Cristóvão, na confluência dos Rio Pardo e Pardinho." - pág. 13
"(...) O Governo Provincial e a Câmara de Rio Pardo [formados em sua quase totalidade por quadros luso-brasileiros] continuavam vivamente interessados em conseguir contato permanente entre a cidade permanente entre a cidade e os campos de Cima da Serra. Por conseguinte, não foi difícil conseguir a aprovação da Lei nº 11, de 6.12.1847 - Manoel Antonio Galvão, Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a Lei seguinte: Art 1º - O Presidente da Província é autorizado a contratar a abertura de nova estrada entre os município de Cruz Alta e Rio Pardo [passando e viabilizando a futura Linha Santa Cruz, local da colocação dos primeiros imigrantes na região de Santa Cruz do Sul], com Delfino dos Santos Moraes (...)." - pág. 28
"Engenheiro [português] Frederico Augusto de Vasconcellos Almeida Pereira Cabral (...) É um nome muitas vezes esquecido quando falamos da História de Santa Cruz do Sul. No entanto é de importância ímpar, pois foi ele o demarcador dos lotes colonias. (...) 'Bacharel Formado na Faculdade de Filosofia pela Universidade de Coimbra, com curso em Matemática Puras e Mecânicas na mesma Universidade, dedicou-se a Engenharia Civil, e prestou neste ramo das Ciências Aplicadas serviços à Companhia de Obras Públicas de Portugal (...)' Deve Ter sido com muita satisfação que a Província logo aproveitou os serviços de tal Engenheiro, pois na época era raro encontrar pessoas tão preparadas. E relamente o Engenheiro Cabral teve destacada atuação em Rio Pardo, em Santa Cruz, em Triunfo e em Arroio dos Ratos." - pág. 31
"Em outubro de 1850 foi nomeado como vice-diretor [que fez o papel deprimeiro administrador] da Colônia de Santa Cruz o Sr. Evaristo Alves de Oliveira.” – pág. 37
"Rio Pardinho (...) Foi inicialmente chamada de Picada Nova. Como já vimos estava ligada à Picada Santa Cruz pelo Travessão ou Linha Travessa ou 'Querpikade'. Neste Travessão foram também alojados alguns imigrantes holandeses, como Dark Noy, Gerhard Nyland e Bernhard Hackenhaar."
"Verificação da Navegabilidade do Rio pardinho (...) Preocupação constante para os colonos era a distância entre a Colônia e a cidade de Rio Pardo. (...) A navegação... estava ali o Rio Pardinho. (...)Todos afirmaram ao Juiz [de Rio Pardo] não ser difícil conseguir a navegação, livrando-se o Rio Pardinho de algumas tranqueiras e de dois saltos pequenos (...). Os encarregados [de realizar o serviço] foram os seguintes: José Leite Maciel - casado, natural de São Paulo; José Maria de Jesus - casado, natural de São Paulo; Gottlib Parnow - viuvo, natural da Pomerânia; Guilherme Schneiders - casado, natural da Prússia, Frederico Jandrey, solteiro, natural da Prússia; e o crioulo de nome Januário, escravo de Dona Joaquina Cardoso. (...) Todos os documentos relativos ao fato tem a data de 28.3.1853." - pág. 89
"Em princípios de 1855, ou talvez já em fins de 1854, o Capitão Tenente d'Armada Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou os trabalhos de medição do local da hoje cidade de Santa Cruz do Sul. A esta Pessoa devemos o traçado de nossas ruas, a localização da Praça (hoje Praça Getúlio Vargas) enfim, o traçado moderno da hoje Capital do Fumo." - pág. 99
"A primeira concessão de terreno na Povoação [hoje cidade de Santa Cruz do Sul] ocorreu aos 19.3.1855 (...) Guilherme Lewis [imigrante inglês], Ricardo Antônio Dutra, Frederico Hansel, Jorge Silberschlag, Adan Reis, Martinho Haas, Jacob Krug e tantos outros também obtiveram lotes." - pág. 101
"Colonos Belgas (...) Em julho de 1855 o Diretor Buff [segundo administrador da Colônia de Santa Cruz, imigrante alemão chegado ao Brasil em 1824, residente em Rio Pardo, casado com a rio-pardense Josefina de Melo Albuquerque] estava à espera de colonos belgas, vindos da Antuérpia (...). (...) Os belgas chegaram, olharam os lotes que lhes haviam sido destinados mas poucos ficaram [isso significa que pelo menos mais de um belga ficou em Santa Cruz!]. Estes lotes ficavam na Linha Bom Jesus, na estrada que levava para Dona Josefa. (...)."
"O Capitão Tenente Menezes [responsável pela demarcação da povoação da hoje cidade de Santa Cruz do Sul] é favorável ao requerimento de diversos, pedindo lotes na Povoação: José Maria Vedódio, natural do Paraguai, casado; Paulo da Cunha, casado. - pág. 103
"Em julho [de 1856] chegavam mais 69 colonos; em setembro mais 15; entre eles João Nicolau Assmann. Depois, José Ferreira Machado, português, casado; João Nepomuceno, português, casado com brasileira; Polycarpo José da Costa, português casado com brasileira. Todos pedem terras na Picada de Santa Cruz, perto da serra, onde pretendem dedicar-se à agricultura e extração da erva-mate." - pág. 109
"(...) Uma vez criada a Paróquia de Santa Cruz, foi o primeiro pároco o P. Manuel José da Conceição Braga, nomeado em 6.6.1860, portanto, um ano e meio depois da elevação a Freguesia. (...)" - pág. 120
"(...) a 14.6.1859, Santa Cruz recebe um destacamento policial, composto de um cabo e dois soldados, ficando a força à disposição do subdelegado Antonio Eloy da Silva Câmara. (...)" - pág. 121
"Em 10 de março do mesmo ano [1859, quando Buff pede exoneração], Antônio Prudente da Fonseca é nomeado Diretor [portanto, o terceiro administrador da Colônia de Santa Cruz] (...). - pág. 123
"Colonos estabelecidos durante a Direção de Prudente da Fonseca [ou seja, a partir de 1859] (...) Em São João (...) Anna Maria Reis Col. nº 144, 8/8 (...) Em Ferraz (...) Julião de Oliveira Col. nº 16 e 17 é Posse antiga (...)" – pág. 127
#A CAMPANHA DE NACIONALIZAÇÃO DO ESTADO NOVO EM SANTA CRUZ (1937-1945) – Maria Hoppe Kipper – obra publicada em 1979 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC) dentro da Coleção História de Santa Cruz do Sul
“Como aos colonos era proibida pela Lei Provincial nº 183, de 13 de outubro de 1850, a posse introdução de escravos [embora havendo precedentes para imigrantes chegados antes desta data e descendentes nascidos no Brasil, além dos lusos, que poderiam servir-se de escravos], raros foram os indivíduos de cor que viveram em Santa Cruz antes do final do século [a autora indica que havia negros nos primeiros tempos da introdução dos colonos imigrantes na região, mesmo que em número reduzido em relação aos europeus]. Após a abolição, estes poucos aumentam de número, estabelecendo-se especialmente em áreas da periferia da cidade, para onde vierarm atraídos por sua prosperidade, mas sempre foram discriminados pelos descendentes dos imigrantes, que os consideravam indolentes, imprevidentes e pouco higiênicos [!].” –pág. 14
“Além dos imigrantes e seus descendentes, também ajudaram na colonização, exercendo via de regra funções públicas e servindo, portanto, de ligação entre imigrantes e o governo, alguns elementos luso-brasileiros que já viviam anteriormente na região ou que se transladaram de Rio Pardo [de novo a autora indica a presença de outra etnia, além da teuta, no processo de colonização na região de Santa Cruz do Sul].” –pág. 14
“A atitude antipática dos subprefeitos [de Santa Cruz do Sul] para com a população [de origem teuta durante a campanha nacionalista do Governo Vargas – 1937-1945] não foi regra geral, pois a população do antigo distrito de Vila Tereza e do distrito de Monte Alverne recordam seus suprefeitos [Pedro de Souza Alves e José Ferrugem, respectivamente], ambos de origem lusa, exerciam com tato e moderção suas atribuições (...).” – pág. 42
“Por ocasião da implantação da Colônia de Santa Cruz a região já era hábitada por alguns elementos da cultura luso-brasileira.
Com o desenvolvimento da colonização alemã, brevemente estes elementos lusos passaram a constituir uma minoria insignificante [!] dentro de uma área onde a população de origem alemã constituía uma maioria bastante homogênea. Nas zonas interioranas, via de regra o elemento luso ficou marginalizado (...) [mesmo reforçando a inferioridade numérica, a autora volta a confirmar a presença lusa na região, mesmo antes da introdução dos imigrantes europeus a partir de 1849]”. –pág. 43
“Na cidade, desde o início, a participação dos elementos de origem lusa foi maior. Estes em geral ocupavam cargos públicos na administração municipal, na justiça, polícia, cartórios, exatorias, e eram bem considerados pelos imigrantes. (...)” –pág. 43
“Quando começa a se expandir o setor industrial, começam a afluir para a cidade muitas pessoas a procura de empregos, (...) surgindo na periferia da cidade os bairros operários, constituídos em sua maioria por elementos lusos. (...) –pág. 43
#PRÉ-HISTÓRIA DO VALE DO RIO PARDO – A HISTÓRIA DOS PRIMEIROS HABITANTES – Pedro Augusto Mentz Ribeiro – obra publicada em 1993, impresso na Gráfica Kirst (iniciativa do autor)
“O motivo principal de ter sido escrito este livro é (...) resgatar a verdade. Esta reside no fato de que os primeiros habitantes da região [incluindo Santa Cruz do Sul], como também da América, foram aqueles que convencionalmente chamamos de indígenas. E esta história de aproximadamente 10000 [dez mil] anos é ignorada, esquecida quando da reconstituição do passado dos vários municípios que integram a Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (AMVARP).” –pág. 4
“O próprio vale do rio Pardo tem uma planta autóctone [planta nativa], cultivada e utilizada antes da chegada dos europeus [pelos povos indígenas da região de Santa Cruz do Sul], a base de sua economia: o fumo ou tabaco (Santa Cruz do Sul, a Capital do Fumo). (...)
No processo de miscigenação, existe a grande possibilidade de muitos de nós [santa-cruzenses e de outos municípios do Vale do Rio Pardo], de sobrenome lusos, apresentem uma (boa) parcela de sangue indígena. (...)” –pág. 5
“Os primeiros europeus que ocuparam a região foram os jesuítas espanhóis [chegados aqui em torno de 1634]. Em suas três reduções [locais onde os índios da região eram atraídos com o fim de serem catequizados] na área [do Vale do Rio Pardo] são aldeados os guaranis.” –pág. 8
“Pelos dados que dispomos, os primeiros povoadores do vale do rio Pardo foram os portadores do material definido como Tradição Umbu [ou seja, conjunto de técnicas de manufatura e sobrevivência usados por um determinado grupo indígena], regionalmente denomominada de fase do Rio Pardinho. Vieram possivelmente do sudoeste do Estado e, acompanhando a encosta do planalto, alcançaram o vale em estudo [estima-se que por volta de 10 mil anos atrás, ou seja, 8 mil a.C.].” –pág. 9
“Aproximadamente na época do descobrimento do Brasil, surgem no médio rio Pardo os portadores do material da fase Botucaraí, da Tradição Tupiguarani ou Subtradição Guarani. (...) Os sítios [locais de ocupação indígena] estiveram assentados, inicialmente, na várzea do rio. Após foram para locais mais elevados da região entre os rios Pardo e Pardinho; em movimentos ou deslocamentos, seguiram até o Jacuí, próximo a cidade de Rio Pardo, subiram o Pardinho até a altura de Santa Cruz do Sul (...).” – pág. 31
“A região do vale do rio Pardo pertenceu, inicialmente, à Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas. (...) Até 1634 foram fundadas [no território do Rio Grande do Sul, por padres espanhóis] 18 reduções [aldeias para catequisação de indígenas], sendo as mais avançadas as do vale do rio Pardo (margem direita): São Joaquim, Jesus Maria e São Cristovão. (...) Antônio Raposo Tavares, bandeirante paulista, atacou-as em fins de 1636. (...)” –pág. 43-44
“A colonização européia [não considerando as reduções dos padres espanhóis como estruturas de colonização] do vale do rio Pardo [onde está Santa Cruz do Sul] iniciou-se com a vinda de imigrantes portugueses que se estabeleceram [a princípio] na zona de campo, ao sul, na primeira metade do século XVIII [entre 1700 e 1750].” – pág. 46
#RECORTES DO PASSADO DE SANTA CRUZ – Hardy Elmiro Martin – obra organizada e atualizada por Olgário Vogt e Ana Carla Wünsch, publicada em 1999 pela Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul (EDUNISC)
“Quando o imigrante alemão chegou [pelo menos as primeiras levas, e considerando que muitas “promessas” não foram cumpridas ou demoraram a se concretizarem] recebia os seguintes favores do Governo [Provincial do RS, composto por esmagadora maioria de lusos]: alimentação para um mês; sementes várias; mais as seguintes ferramentas (para todos os imigrantes do sexo masculino maiores de 16 anos): [segue uma lista com 14 ferramentas, dois tipos de panelas e materiais de caça] (...).
Ficavam os imigrantes obrigados a providenciar as escrituras das terras presenteadas pelo Governo (...).” –pág. 17-18
“Naquela época, 1851/1852, já era plantado o fumo, com sementes vindas de Cuba/Havana, por iniciativa do Governo Provincial [do RS, composto por esmagadora maioria de lusos]. –pág. 22
“Já escrevemos que a 25 de novembro de 1852, pela Lei nº 248, o Vice-Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Dr. Luiz Alvez Leite de Oliveira Bello, mandara desapropriar terras da herança de João Faria para estabelecer as bases da Povoação [originária da hoje cidade de Santa Cruz do Sul]. Esta desapropriação tornou-se necessária, pois esta área não era devoluta, isto é, tinha dono.
Porém, somente em 4 de novembro de 1854 o Capitão Tte. d’Armada, Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou efetivamente os trabalhos, auxiliado por José Luiz Teixeira de Lima. Tudo conforme cartas de Castro Menezes [nesta época, administrador da Colônia de Santa Cruz], com data de 21 de abril de 1855, ao Presidente da Província.” –pág. 25
“A partir de 1861 os colonos imigrantes eram enviados a Mont’Alverne [hoje distrito de Santa Cruz do Sul], na maioria das vezes por via fluvial – Rio Taquari – até o porto da fazenda do Capitão João Francisco Fernandes, e dali, por terra, até a moradia do Sr. Joaquim da Cruz, em estrada aberta por iniciativa da Câmara Municipal de Taquari [município de forte presença açoriana]. Da propriedade deste Sr. Cruz, eram os imigrantes, depois, levados a Mont’Alverne. Parece que houve problemas neste trajeto, pois a Província, a 27 de 1861, encarregou o Major de Engenheiros Cândido Januário de Passos, de melhorar, com urgência, a picada que ligava Santa Cruz a Mont’Alverne.”
(...) Mont’Alverne (...) continuou Colônia, tendo seus Diretores, sendo um dos últimos o Sr. Antônio de Azambuja Villanova Filho.” –pág. 36-37
“Aos 17 de outubro de 1900, chegavam a Santa Cruz 90 cearenses enviados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, para serem alojados em terras devolutas: 16 homens com suas mulheres, e crianças. Vinham a Santa Cruz para serem colonos. Deveriam ser alojados em Herval Baixo (...).
Era intendente de Santa Cruz o Dr. Adalberto Pita Pinheiro. Quando os cearenses chegaram a Santa Cruz foram alojados inicialmente no edifício da Câmara [de Vereadores, no centro da cidade]. (...)
Em levas contínuas os cearenses [após algumas mortes por doença] foram depois levados à Serra [possivelmente o autor se refere a região da Linha da Serra], sendo que os últimos partiram daqui [centro de Santa Cruz] na segunda quinzena de dezembro de 1900.” –pág. 43-44
“(...) na Mensagem apresentada ao Conselho Municipal de Santa Cruz, aos 15 de outubro de 1900, o intendente Adalberto Pitta Pinheiro, dizia que continuavam a ser feita regularmente a iluminação pública. (...)
Na mensagem apresentada a 15 de outubro de 1902, pelo mesmo intendente Pitta Pinheiro, este dizia: Está em estudo projeto de iluminação elétrica da Vila (...).
(...) a 1º de outubro de 1904, firmou-se o contrato com o Sr. Melchior, contrato este que foi modificado por outro assinado a 31 de agosto de 1905, quando já era intendente o Sr. Galvão Costa.” –pág. 50-51
“(...) em 1909, pelo Intendente João Gomes Cardoso, consta que a cidade de Santa Cruz era iluminada por 73 lâmpadas [elétricas] (...). Em 1911 o Sr. Henrique Melchior propõe à Intendência ceder o privilégio da iluminação, mediante a venda ao poder Público da Usina de sua propriedade. O então intendente, Sr. João Gomes Cardoso, manda levantar relação das existências da Usina e demais material da rede de pertences [a Intendência começou a administrar a usina e o serviço de eletricidade em 1º de janeiro de 1912].” –pág. 54
“E junho de 1906, a empresa do Coronel João Ganzo Fernandes prontificou-se a estabelecer uma rede telefônica na cidade de Santa Cruz. A 12 de junho do mesmo ano, o Intendente Galvão Costa mandou publicar edital chamando a concorrência pública para tal serviço [ganha pela empresa referida].” –pág. 75
“Aos 16 de março de 1907 [quase um ano após o início do serviço de telefonia em Santa Cruz], o Sr. Samuel Canosa, incansável representante da firma do Cel. Ganzo Fernandes, nesta cidade, comunica à Comunidade que a partir da data acima, não é representante da referida firma.” –pág. 77
“Assumiu então a Intendência de Santa Cruz o Dr. Adalberto Pita Pinheiro que passou a trabalhar incansavelmente para que Santa Cruz tivesse a sua ferrovia. (...)
No dia 22 de setembro de 1905, foi colocado o último trilho no ramal Couto/Santa Cruz e ainda no mesmo dia, às 16 horas, perante verdadeira multidão muito alegre, chegou o primeiro trem a Santa Cruz.
(...)
A passagem número 1 foi vendida ao Sr. Raul Santos. O primeiro agente da Estação Ferroviária de Santa Cruz foi o Sr. Leôncio Cabral.
A Solenidade inaugural da estação e do ramal ocorreu a 19 de novembro de 1905, com a presença do Dr. Augusto Borges de Medeiros, Governador do Estado e de luzidia comitiva. Nesta data a Vila Santa Cruz foi elevada à categoria de cidade.
O prédio da Estação, em Santa Cruz, foi construída na área comprada de Carlos Trein Filho e outra pequena fração de terra do Sr. Cirino Abdom da Silva Branco.” –pág. 82-83-84
OBS.: Na página 81, onde inicia o artigo sobre o Ramal Ferroviário de Santa Cruz, há uma foto interessante da inauguração do referido ramal em 1905: nela aparecem cerca de 20 (vinte) negros, vários deles empunhando pás, indicando a presença dos trabalhadores/as de origem afro em obras de infra-estrutura fundamentais para o desenvolvimento de Santa Cruz do Sul.
“(...) Isto [o surgimento do Colégio Distrital, a primeira escola pública estadual em Santa Cruz do Sul] ocorreu a 14 de fevereiro de 1902, contando com a presença do Inspetor Geral do Ensino do Estado, Dr. Manuel Pacheco Prates, festivamente recebido.
Na fundação do Colégio Distrital merecem destaque os esforços do Intendente Adalberto Pita Pinheiro e do chefe republicano local, Sr. Vasco de Azevedo, cujos apelos encontraram junto ao Dr. Borges de Medeiros e Dr. Júlio de Castilhos (este visitou Santa Cruz em 03/06/1897).
(...)
O primeiro diretor [da escola] foi o Prof. Balthazar dos Santos Paz (01/05/1902), sendo professores Luise Stein e Estelita Pinheiro Porto. (...)” –pág. 116
“O cinema foi, pouco a pouco, conquistando o público. Por volta de 1914 o Sr. Nestor Jorge de Souza Brandão comprou máquina para exibir filmes, na cidade e no interior do município.” –pág. 120
“Em janeiro de 1925 começou a funcionar este cine [o Cine-Theatro Gymnastica], no Salão de Festas da Sociedade Gymnastica, sob a responsabilidade do Sr. Armando Ferreira.” –pág. 121
“No dia da inauguração [do Estádio Futebol Clube Santa Cruz], 7 de setembro de 1923, o discurso foi proferido pelo Sr. Itiberê da Cunha.
#OS COLONOS ALEMÃES E A FUMICULTURA: SANTA CRUZ DO SUL, RIO GRANDE DO SUL 1849-1881 – Jorge Luiz da Cunha – obra publicada em 1991 pela Livraria e Editora da FISC (Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul)
“(...) ‘Relação das datas de terras concedidas na Picada Santa Cruz, com declaração das datas dos títulos de concessão das pessoas que as obtiveram e da quantidade de braças:
Em 10 de outubro de 1850 – ANTONIO JOZÉ B. MACHADO, uma área de ¼ de légua quadrada ou 2.250.000 braças quadradas.
Em 12 de outubro de 1850 - JOAQUIM BAPTISTA DA SILVA, idém. – JOSÉ PINTO DA FONSECA GUIMARÃES, idém.
Em 10 de dezembro de 1850 - PEDRO KLEUDGEN*, idém. – JOÃO SEVERINO PESSOA DE ANDRADE, uma data de terra nos matos da estrada do Rio Pardo para Cima da Serra e uma das margens do arroio Taquari Mirim com ¼ de légua de frente por uma dita de fundos. – CANDIDO JOSÉ DA COSTA, uma data no mesmo lugar com ¼ de légua. – ANTONIO ROIZ DE CASTRO, uma data no mesmo lugar com ¼ de légua.
Em 14 de dezembro de 1850 – FELIPE KELM, uma data no mesmo lugar com o mesmo ¼ de légua.
Em 23 de dezembro de 1850 - GASPAR PINTO BANDEIRA, uma área de ¼ de legua quadrada ou 2.250.000 braças quadradas. – FRANCISCO CANDIDO DE CASTRO MENEZES, ídem.
Em 24 de dezembro de 1850 - FELIPE DE NORMANN**, idém. LUIZ ANTONIO BOTELHO DE CARVALHO, idém. – JOAQUIM DA CRUZ FERREIRA SOARES, idém. – LUIZ MANOEL MARTINS DA SILVA, idém.
Em 25 de fevereiro de 1851 - MARCOLINO JOSÉ DE SOUZA, idém. – FRANCISCO PEREIRA CALDAS, idém. – ANTÔNIO JOZÉ DE ARAUJO BASTOS, idém. – FRANCISCO PINTO DE CARVALHO, idém. – JOZÉ CANDIDO ROIZ FERREIRA PEREZ, idém.
Em 15 de março de 1851 - JOAQUIM BALBINO CORDEIRO, idém. – FREDERICO HEYDTMANN***, idém. (...).’ [Obs.: listagem retirada pelo autor, prof. Jorge Cunha, de documento encontrado na caixa 286 – Santa Cruz – Arquivo Histórico do RS.]
Como se vê, são distribuídos 21 títulos de posse, somando a apreciável quantia de 47.250.000 braças quadradas na área da picada que dá origem à colônia de Santa Cruz, o que equivale a cerca de 22.869 hectares concedidos a elementos de tradicionais famílias de Rio Pardo e Porto Alegre ligados ao governo provincial.” [Obs.: Os nomes assinalados com asteriscos (*) na lista acima são de alemães que trabalharam para o governo provincial do RS naquela época.] –pág. 77-78
“(...) Monte Alverne [atual distrito de Santa Cruz do Sul], [foi] fundada em terras devolutas e ervais dos índios da aldeia de São Nicolau (Rio Pardo). (...) Com a valorização das terras em torno da colônia de Santa Cruz, os matos e ervais pertencentes aos índios da aldeia de São Nicolau de Rio Pardo, com cerca de 2.000.000 de braças quadradas (968 hectares), são considerados devolutos e loteados, passando a fazer parte da colônia de Monte Alverne, apesar da solicitação do Diretor Geral dos Índios da Província – José Joaquim de Andrade Neves (Barão do Triunfo) encaminhada ao presidente da Província para que estas terras não fossem loteadas. (...)” –pág. 106
“A colônia de Santa Cruz continua crescendo muito. Em 1863 o então diretor Carlos Schwerin, efetuando medidas na serra ao norte das Linhas Ferraz e São João, comunica que por ali pode ser construída uma estrada de rodagem que permita o acesso às terras devolutas de Cima da Serra e aos mercados das povoações do planalto. Contudo, o que chama a atenção no ofício em que dá notícias ao Inspetor Geral das Colônias é a comunicação de que havia encontrado ‘... os vestígios, que existem por dentro destes matos um quilombo numeroso [local onde se refugiavam negros escravos rebelados], cuja destruição é tanto necessário, que a colonização de Santa Cruz há de se estender por este lado até chegar em Cima da Serra.’ (...)” – pág. 107
“Finalmente, a colônia de Santa Cruz é emancipada por ato do presidente [da província do RS] José Fernandes da Costa Pereira Júnior, de 8 de novembro, em cumprimento do artigo 16, título 4º da lei nº 807 de 30 de outubro de 1872, aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial que cede às pressões da Câmara Municipal de Rio Pardo [comunidade esta com esmagadora presença de lusos, que dominam as instituições governamentais e outras nesta época].” –Pág. 109
“Examinando as informações contidas no cadastramento relaizado por Carlos Trein Filho, conclui-se, excluídos os nascidos no Brasil [excluindo assim também colonos de outras partes do país], que 90% dos habitantes [estrangeiros em 1879, época do cadastramento] da Colônia de Santa Cruz haviam nascido em território do Reino da Prússia (...). Outros 0,55% são naturais, seis da Holanda, um da Bélgica e um da Suiça (Tirol). –Pág. 113
“(...) Somente na povoação [de Santa Cruz] é possível encontrar, no mesmo ano [1857], um torneiro (em madeira), um tanoeiro e uma olaria que ocupa dois oleiros e alguns escravos do inglês Guilherme Lewis [primeiro morador a edificar residência no povoado, casado com a rio-pardense Dona Carlota]. A Lei Provincial nº 183 de 18 de outubro de 1850 proíbe a introdução e a permanência de escravos no território da Colônia. Contudo, em fins do de 1857 o Diretor João Martin Buff informa em seus mapas estatísticos a existência de 21 escravos, sendo 13 do sexo masculino e 8 do sexo feminino, dando indicações de sua procedência: ‘...os ditos escravos pertencem as seguintes famílias: A herdeiros de Vasco Jozé da Silveira, estabelecido em terras de sua propriedade, muito anterior a fundação da Colônia; a Guilherme Lewis na forma dita, distante da povoação ¾ de légua, com quanto se acha atualmente na dita povoação, por ser o arrematante da edificação na dita capela; ao Sr. Antonio Ignacio da Silva, que tem só duas escravas de serviços domésticos, único com colônia, na qual faz plantação com braços livres; e a Evaristo Alves de Oliveira, em terras de sua propriedade, encravadas na Colônia.’ (...)” –Pág. 154-155
#O NASCER DE SANTA CRUZ DO SUL EM RÁPIDAS PINCELADAS – Leandro Telles – texto incluso no álbum “Centenário de Santa Cruz do Sul –1878-1978”, obra com a direção-geral de Romeu Bacchieri e impresso pela Amrigs Gráfica e Editora Ltda.
“É o Pe. Theodor Amstad que nos explica a hipotética origem da denominação [de Santa Cruz]. Diz ele que na época da fundação da colônia vivia no Faxinal um “brasileiro” de nome Cruz. Mantinha uma pequena venda no local e, ainda, a título de “defesa”, fazia medições e indicava aos imigrantes as suas respectivas colônias. Esse tal de Cruz tornou-se popular entre os colonos, ainda mais se considerarmos que a venda, até os dias de hoje, sempre foi um ponto de atração na colônia alemã (...).” –Pág. 9
“Quanto ao culto católico em Santa Cruz, em 1861, escreve Tschudi: ‘O sacerdote católico Manoel Vieira da Conceição Braga [primeiro pároco do então Faxinal] é português e não sabe se comunicar com os colonos de língua alemã (...)’. (...) O Pe. Braga fora nomeado pároco em 6.6. 1860, um ano e meio após a povoação ser elevada a Freguesia, pela Lei nº 432, de 8.1.1859. (...)” –Pág. 27
“Quanto a construção do templo católico [o primeiro a se erguer na hoje cidade de Santa Cruz do Sul, em frente e anterior a atual Catedral] (...) em 1855, o governo provincial abriu concorrência (...) adjudicada a Guilherme Lewis, americano [Obs.: conforme outros diversos pesquisadores , Lewis era imigrante inglês, não americano], ‘homem ativo e empreendedor, e de inteligência bastante cultivada para o tempo’ ([conforme João Bittencourt de] Menezes), antigo proprietário da Fazenda São João da Serra, fazenda muito importante, também pela extensão de suas terras, que abrangia a maior parte do Rincão D’El Rei e que se destacava, igualmente, pelo matagal situado entre o Arroio Pedroso, Rio Pardinho e Arroio das Pedras. A o tempo que Menezes redigiu sua obra ainda existia “a grande e velha casa da fazenda” provavelmente em estilo colonial (barroco) luso-brasileiro. Lewis foi o primeiro a edificar uma casa na povoação de Santa Cruz, no terreno nº 1 da quadra H, a ele concedido em 1855.” –Pág. 29
“(...) os colonos eram atendidos pelo [médico] dr. Antonio Ferreira de Andrade Neves, conforme se depreende do ofício de Buff [administrador local da colônia] (...). Salvo melhor juízo, o dr. Andrade Neves foi o primeiro médico de Santa Cruz. Julio Laun, em 1859, seria o primeiro médico a residir em Santa Cruz. Mas o primeiro a atender os colonos foi o dr. Antonio [nascido em Rio Pardo em 1808,onde também faleceu em 1890, tendo estudado medicina na França] (...).” –Pág. 29-30
“Enquanto a colônia progredia no alto da serra, o vale já era observado como futura sede da povoação. Pela Lei nº 246, de 25.11.1852, foram desapropriadas terras da herança de João Faria, um quarto de légua de campo e faxinais, que seriam anexados à colônia de Santa Cruz. Entretanto, somente em princípios de 1855, o Capitão da Armada, Francisco Cândido de Castro Menezes iniciou a medição do local onde hoje se assenta a laboriosa cidade de Santa Cruz. Na verdade, as terras haviam sido vendidas por João de Faria ao comendador Antonio Martins da Cruz Jobim, mais tarde Barão do Cambaí. (...) Vamos agora reproduzir os nomes dos primeiros concessionários em cada quadra que foram, portanto, os primeiros moradores da primitiva poviação [da hoje cidade de Santa Cruz do Sul]: [Obs. Na listagem que segue, enumerando as quadras, sua localização e respectivos donos, tem-se mais de 80 pessoas com sobrenomes tipicamente luso-brasileiros num listagem com um total de 164 concessionários, cerca de 50% da população naquela época que requisitou terrenos em Santa Cruz do Sul não era de origem alemã, sem considerar que há outros sobrenomes típicos de gente de outros países, caso de Lewis, da Inglaterra]. –Pág. 33-37
#HEINZ VON ORTENBERG, MÉDICO DO KAISER E DE SANTA CRUZ DO SUL – Lendro Silva Telles – obra publicada em 1980 pela Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (APESC)
“(...) ‘O trabalho mecânico nas fábricas (Santa Cruz [do Sul]) é confiado aos brasileiros-negros e mulatos – e o trabalho que demanda inteligência é executado por alemães.’ (...)” [Obs. O trecho é citado pelo autor, referindo-se a obra do pastor evangélico Siegfried Heine entitulada “Como Pastor Alemão e Diretor de Escola no Sul do Brasil”; a situação nas fábricas se refere provavelmente ao final dos anos 30 do século XX.] –Pág. 166
“(...) Ortemberg [médico de origem alemã que clinicou em Santa Cruz do Sul] diz o seguinte: quando se fundou uma célula do Partido [nazista] em Santa Cruz, não pode [ele, Ortemberg] se filiar à mesma, porque ‘era composta de elementos que, em sua maioria, não honravam o seu apelido [sobrenome] alemão’. Alcoólatras, que em virtude de seus excessos já tinham sido presos pela ‘polícia negra’ (Negerpolizei, no original; certamente, o termo é usado para ‘captatio benevolentiae’ junto a GESTAPO [polícia na Alemanha nazista, que prendeu o referido médico durante um período da “2ª Guerra Mundial”]).” (...) –Pág. 168
“ ‘(...) O significado econômico da cidade, porém, reside no próspero comércio de fumo, que está na mãos alemãs e norteamericanas. (...) Os trabalhadores nas fábricas, na medida em que forem exigidos trabalhos mecânicos, são brasileiros, negros e mulatos. Para tarefas mais difíceis e de maior responsabilidade, de bom grado, são empregados alemães. (...)’. ” [Obs.: Trecho citado pelo autor retirado do artigo “As minorias Alemãs no Mundo – Santa Cruz, Uma Pérola da Colônia Alemã no Sul do Brasil” publicado provavelmente entre a década de 30 e 40 do século XX no “Volkischer Beobacher” – jornal vinculado ao partido nazista.] –Pág. 172
#ECONOMIA, POLÍTICA E RELIGIÃO EM SANTA CRUZ DO SUL NA REPÚBLICA VELHA – Silvana Krause – dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciência Política – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – novembro de 1991
“O jornal Kolonie (21.02.1891) também menciona a religião da população de Santa Cruz, dizendo que nesta época havia no município um total de 15.572 habitantes, distribuídos assim: - brancos: 13.584; - de cor: 1.987; - protestantes: 7.049; católicos: 8.502; sem religião: 21.” [Obs.: esses números dizem que 12, 76% dos santa-cruzenses da época eram “de cor”, isto é, negros ou talvez mestiços diversos com pele escura. Interessante também é notar que a estatística é publicada há menos de três anos da “abolição da escravatura” (13/05/1888)! Pode-se inferir que diversos, senão grande parte, quiça a totalidade dos “de cor” eram trabaldores/as negros/as escravizados/as...] –Pág. 211
“(...) [Segue abaixo de uma tabela relacionando anos – de 1913 a 1929 –, número de habitantes e religião (católicos e acatólicos) a seguinte observação da autora] Obs.: Devemos considerar que nestas tabelas, até 1918, é incluído Monte Alverne. Também é contabilizada a região serrana [de Santa Cruz do Sul da época], onde praticamente só existem populações de descendência não-alemãs. (...)” –Pág. 212
“(...) Em 1926, os dados acusam que haviam 2.680 famílias ligadas à igreja luterana e 3.250 famílias católicas em Santa Cruz do Sul, sendo que das 3.250 famílias católicas, 940 eram de origem lusa, 50 de origem italiana e 3 norte-americanas. (...)” – Pág. 213
#CANDELÁRIA, SUA GENTE E SUA HISTÓRIA – ARISTIDES CARLOS RODRIGUES – EDITADO EM 1993 PELA GAZETA DO SUL S.A., SANTA CRUZ DO SUL
"Em Candelária havia muitos escravos (...) Não só os luso-brasileiros os possuíam. As leis número 143 e 183, de 27 de julho de 1848 e 13 de outubro de 1850, respectivamente, proibiam os colonos alemães de possuírem escravos. Essa proibição, logicamente, não era extensiva aos seus descendentes nascidos aqui [no Brasil], dado sua condição de brasileiros.
João Kochenborger [um dos primeiros colonizadores de origem alemã de Candelária, município vizinho a Santa Cruz do Sul, responsável pela construção do famoso aqueoduto, ponto turístico da região do Vale do Rio Pardo] comprou, em 26 de julho de 1867, do fazendeiro Estácio José Francisco Pessoa, os escravos de nome João e Felipe, com, mais ou menos, 20 e 31 anos de idade, respectivamente. Pagou por ambos a quantia de 2 contos e 400 mil réis. A 17 de agosto do ano seguinte, comprou, de Luiz Machado Teixeira, outro escravo que, também, se chamava João. Pagou por esse 1 conto e 200 mil réis. Além dos que citamos, possuía outros, pois, certa ocasião, ele vendeu, a seu sogro, João Bappen, um escravo de nome Antonio, com 14 anos de idade.
Seu genro Felipe Graeff [também um dos pioneiros germânicos em Candelária, filho do imigrante alemão Henrique Jácob Graeff] possuía 3 escravos, os quais havia comprado de Vasco Xavier da Cunha. (...)
Um escravo valia muito (...) Para se Ter uma idéia de quanto custava um escravo, basta lembrar que pouco antes de João Kochenborger haver comprado os escravos João e Felipe, pelo preço de 2 contos e 400 mil réis, ele tinha adquirido quatro colônias e meia de terras de mata virgem na segunda légua da Sesmaria do Pinhal [região de Candelária], portanto muito bem localizadas, por 1 conto e doze mil e 500 réis. Um escravo valia, pois, mais do que quatro colônias e meia de terras otimamente localizadas!" –Pág. 119
*Atualizado em 24/08/2001
CEDECS: definição, propostas, ações etc.
BREVE HISTÓRICO E DIRETRIZES BÁSICAS DO COLETIVO DE ESTUDOS E DEBATES ÉTNICO-CULTURAIS DE SANTA CRUZ DO SUL – CEDECS*
Para prosseguir com as reflexões e movimentos em relação ao hino municipal de Santa Cruz do Sul e outras formas de fomento à discriminação racial, iniciados no mês de abril de 2001, conforme diversos registros – inclusive na imprensa – foi formalizada a existência do grupo que estava à frente da promoção daqueles diversos eventos, como os debates públicos sobre o hino santa-cruzense e o fórum de reflexão em 13 de maio de 2001. Assim sendo, foi aprovada a criação de uma denominação e diretrizes básicas para o funcionamento das atividades do agrupamento.
A denominação ficou estabelecida como: Coletivo de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul*, com a sigla CEDECS.
Tal denominação contempla o objetivo primeiro do grupo, ou seja, buscar informações, problematizar e levar à comunidade reflexões acerca da discriminação racial e outras, engajando-se numa luta histórica maior pelo resgate da dignidade, da auto-estima, das características culturais próprias, do poder político e econômico em todas as instâncias do Brasil do povo oprimido, em especial os afro-descendentes, índios e outros segmentos englobados na grande “raça humana”.
O CEDECS não tem vínculos partidários e religiosos, portanto é uma organização autônoma, buscando manter reuniões e outros encontros periódicos, além de promover ou apoiar eventos que ampliem o estudo e o debate sobre os assuntos étnicos e culturais em Santa Cruz do Sul e região.
A adesão ao CEDECS será livre, não implicando compromisso formal algum, a não ser estar disposto a estudar e debater coletivamente assuntos envolvendo as questões étnico-culturais em Santa Cruz do Sul e região.
É sugerido que a cada encontro seja eleito entre os presentes um/a coordenador/a, que ficará responsável por conduzir a reunião e encaminhar a próxima; elegendo-se também um/a secretário/a para registrar o que for abordado e deliberado. Poder-se-á formar comissões temporárias para a realização de tarefas específicas, bem como outras propostas de atuação do CEDECS.
Ficou definido também que ninguém ficará autorizado a falar em nome do CEDECS, a não ser com a expressa deliberação em reunião do coletivo.
Tais diretrizes foram acordadas em reunião na sede da FGTAS/SINE-RS de Santa Cruz do Sul no dia 29 de maio de 2001.
*Posteriormente, por uma questão de precisão e amplitude da designação, a denominação foi alterada para Coletivo de Estudos e Debates Étnicos e Culturais de Santa Cruz do Sul (ao invés de Étnico-culturais).
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Proposta para o III Encontro de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul
Estamos propondo um debate sobre a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul. Queremos fazer um exercício coletivo de lançar um olhar crítico, numa perspectiva que considere com mais profundidade os aspectos históricos e da construção da identidade social-étnica implicados nesse evento. Temos a pretensão – e este é o nosso ponto de partida – de buscar enfocar facetas da Oktoberfest que não vêm a público, submersas que estão em clichês argumentativos.
Abaixo seguem algumas problematizações que podem servir de elementos para iniciarmos uma discussão:
1 – O fato da Oktoberfest ser um empreendimento turístico-comercial já nos anuncia as suas limitações. Como aprofundar um “resgate” do passado de uma forma ampla e em toda a sua complexidade? Num ambiente de festa, de vendas, de “exaltação” não há espaço para questionamentos e consideração às tragédias e indignidades humanas. Fica-se, quase necessariamente, nos estereótipos, no “lado bom”, na parcialidade, enfim, na pasteurização da história.
2 – A Oktoberfest é uma “comemoração oficial” – é a festa máxima de “toda” a municipalidade. Porém, está vinculada a uma homenagem exclusiva de um determinado grupo étnico, reforçando o senso comum de que “Santa Cruz do Sul é um município alemão”. Onde ficam as outras etnias e pessoas de outras origens geográficas – negros, lusos, belgas, holandeses, paulistas, cearenses etc. – formadoras da comunidade ao longo do tempo? Parecem estar num plano subalterno e coadjuvante. Não se estaria produzindo um ambiente propício a noções de supremacia racial e de uma compreensão equivocada da história santa-cruzense?
A Oktoberfest parece ter tanta importância que até o local – que funciona o ano inteiro, que é ocupado para diversos fins e eventos – tem o nome de “Parque da Oktoberfest”, com suas fachadas “caracterizadas em estilo alemão”.
3 – Outra consideração que podemos levantar é o artificialismo da “tradição” que os “ideólogos” da Oktoberfest tencionam investi-la. É sabido que os imigrantes germânicos que chegaram a Santa Cruz do Sul não são os retratados na festa, pois provindos de regiões da Europa e de uma Alemanha onde nem mesmo o chopp era uma bebida tradicional, conforme diz o professor e pesquisador Jorge Cunha, doutorado na universidade de Hamburgo (ver reportagem do site no.com).
4 – Há elementos que podem nos fazer raciocinar que a Oktoberfest, além de toda a inconsistência histórica e espírito comercial, consubstancia-se também num culto à Alemanha. No cartaz da festa de 2001, por exemplo, há no alto da peça três bandeiras da atual República Federal da Alemanha. Não é a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul um evento brasileiro? Se é uma festa “tradicional, por que vinculá-la tão explicitamente a uma Alemanha muito diferente “daquela” dos que emigraram em meados do século XIX? Não se estaria querendo buscar refúgio psicológico numa “Alemanha paradisíaca”, desprezando-se, por outro lado, a identidade brasileira e os problemas do Brasil?
5 – Como se dá o envolvimento da população santa-cruzense na “germanidade” da Oktoberfest? Em que níveis, momentos e estratos sociais isso se estabelece?
S.C.S., 08/10/2001.
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CONVITE
Prezados/as Conselheiros/as:
A história, a cultura e os problemas atuais de comunidades indígenas que residem ou transitam no Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari serão o tema do 3º Encontro de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul. O evento, que conta com o apoio da 6ª Coordenadoria Regional da Divisão da Criança e do Adolescente (STCAS-RS), acontece no próximo dia 22 de novembro, quinta-feira, às 19h30min, na sala 101 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).
A palestrante da noite será a coordenadora executiva do Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI-RS), Maria Luiza Santos Soares. Aberto à participação de todos os interessados, o encontro promovido pelo Coletivo de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul (Cedecs) tem a entrada franca.
Um dos objetivos dos organizadores é buscar informações e fomentar uma discussão sobre questões envolvendo crianças que acompanham grupos de índios itinerantes, permanecendo acampados em cidades como Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Lajeado, aparentemente em situações precárias. Como se trata de um cultura e de outros aspectos – inclusive legais – próprios, o entendimento e a abordagem das pessoas e dos agrupamentos indígenas precisam também ser diferenciados, sem cair na discriminação ou omissão.
Contamos com a presença de todos os conselheiros/as.
(...)
Agradecendo a atenção, colocamo-nos à disposição.
Iuri J. Azeredo
Coordenador da 6ª Coordenadoria Regional da Divisão da Criança e do Adolescente
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ESBOÇO DE PROPOSTA PARA A CRIAÇÃO DO
CENTRO (ou Núcleo) DE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS DO VALE DO RIO PARDO
A região do Vale do Rio Pardo já possui diversas instituições que se ocupam em estudar a história e a cultura de determinados grupos étnicos, notadamente os de origem germânica. Ocorre que poucas, de forma organizada, sistemática e oficial, detém-se nos afro-descendentes. Isso tem produzido uma lacuna no conhecimento histórico, sociológico e antropológico no Vale do Rio Pardo a respeito da população negra, o que pode estar colaborando – ao longo do tempo e por gerações – para atitudes de menosprezo e subestimação da importância, na construção e desenvolvimento da comunidade regional, que têm a cultura e o trabalho das pessoas com raízes no continente africano.
Basta que procuremos, nas universidades da região, entre os trabalhos acadêmicos e à literatura sobre o assunto produzida localmente, para comprovarmos o que estamos dizendo. Muito pouco, senão quase nada de consistência e fôlego, se encontrará. Ao contrário, em relação aos teuto-descendentes, por exemplo, há uma multidão de pesquisas e publicações – algo que, sem dúvida, vem reforçar a posição hegemônica dos “brancos”, eurocêntrica, em termos de identidade social-étnica que prevalece no Vale do Rio Pardo, refletindo-se também no predomínio político, econômico e social que têm os descendentes de europeus na região.
Para colaborar na reversão deste quadro de “marginalidade” em diversos sentidos e setores da vida social, estamos propondo a construção do que poderia ser um Centro Regional de Estudos Afro-brasileiros do Vale do Rio Pardo.
Tal centro, estabelecendo diversas parcerias para a sua criação e manutenção, com uma gestão composta com os organismos da comunidade negra regional, teria uma ação autônoma, abarcando atividades de pesquisa e divulgação de assuntos pertinentes aos negros e negras na região, sua história, cultura, a situação social, nas instituições, no mundo do trabalho, as relações inter e intraétnicas na região etc. O centro, além de uma produção própria, feita por pesquisadores (de diversos níveis) vinculados, incentivaria trabalhos em outros espaços, caso de escolas e universidades; seminários, fóruns, encontros, jornadas também seriam momentos onde o centro estaria interagindo, na busca da divulgação, debate e apoio ao resgate da contribuição e análise da problemática envolvendo os afro-brasileiros no Vale do Rio Pardo.
Tem-se uma tarefa enorme pela frente. Os dados históricos existentes são consideráveis, mas ainda não mereceram uma recuperação, estudo, teorização e sistematização efetivas e relevantes. O foco dos estudos, da preocupação e problematização acadêmicas e em outros setores que buscam explicitar a história regional e seu desenvolvimento, como já dissemos, recai, na esmagadora maioria dos casos, sobre a ocupação e imigração européias, relegando-se – como se evidencia, ademais, pela falta de trabalhos universitários na região – um papel coadjuvante ou mesmo de inferior consideração ao povo negro (sem esquecer dos índios, outro personagem relegado ao folclore ou “objeto arqueológico”).
Portanto, o Centro Regional de Estudos Afro-brasileiros do Vale do Rio Pardo poderia ter um caráter que transcendesse o mero “tapar o vazio” em termos de produção de literatura especializada e discussões específicas sobre a descendência africana nos municípios que formam a região; teria, sobretudo, um papel fundamental na recuperação da auto-estima e da concreta valorização da contribuição dos afro-descendentes, ampliando a análise das questões sociais – o racismo em suas inúmeras, complexas e às vezes sutis discriminações negativas – que historicamente atingem milhares de negros e negras que fazem do Vale do Rio Pardo a “sua terra”, subsidiando projetos, programas e políticas públicas visando a superação dos entraves à melhoria da qualidade de vida e participação protagonistas desse povo em todos os espaço da sociedade regional.
Reforçamos que o acima exposto é uma proposta, que está posta à discussão, para a sua avaliação e aperfeiçoamento.
Santa Cruz do Sul, 08 de outubro de 2001. (Reformulada mais uma vez em março de 2002.) – Coletivo de Estudos e Debates Étnicos e Culturais de Santa Cruz do Sul (CEDECS)
Obs. 1: Ao invés de Centro, a denominação poderá ser Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Vale do Rio Pardo (com a possível sigla de NEAFRO).
Obs. 2: Há a indicação de propor-se a localização física do NEAFRO no que será o Centro Regional de Cultura em Rio Pardo. Como é sabido, Rio Pardo, além de núcleo originário da região do Vale do Rio Pardo e outras, foi uma localidade onde a presença da população negra é de grande significância numérica, econômica, social e cultural.
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Esboço de proposta
GT de Educadores/as e Ativistas pela Africanidade e Multiculturalismo em Santa Cruz do Sul
DEFINIÇÃO
Trata-se de um Grupo de Trabalho autônomo, englobando educadores e ativistas comunitários, tendo o objetivo de estudar e fomentar a implementação das leis municipal e federal que determinam o ensino nas escolas de conteúdos sobre História e Cultura da África e dos Afro-brasileiros.
A “africanidade” – que consta na denominação do GT – se refere, em resumo, à valorização dos elementos sócio-culturais de origem africana, tantos os do passado, ou seja, que vieram e se difundiram com os negros e negras no Brasil e o mundo, incorporando-se às características do povo brasileiro e do planeta, como o interesse e interações com a realidade dos países da África na atualidade.
Acreditamos que tal valorização histórica e interação no presente com “as coisas africanas” é muito importante para ancorar o resgate da auto-estima dos afro-descendentes.
O termo “multiculturalismo” aponta para uma visão de inclusão e “miscigenação” étnica, que respeita a diversidade humana, os encontros e as idiossincrasias culturais, mas sem hierarquizações.
INTRODUÇÃO
Desde meados dos anos 90 existe em Santa Cruz do Sul uma lei municipal que determina o ensino de conteúdos vinculados a história da África e os afro-descendentes no Brasil. Essa obrigatoriedade legal tem se mostrado, na prática, inoperante, com algumas exceções, por conta do esforço individual de alguns professores conscientes da importância de trabalhar a temática do africanismo em suas aulas.
A alegação que mais comumente se observa para o descumprimento da supracitada lei é de que “não há material didático” ou formação e orientações específicas para ministrar os conteúdos – fatores agravados ainda mais pela proposta interdisciplinar da sua aplicação no dia-a-dia escolar.
Ocorre que, recentemente, foi sancionada a Lei Federal nº 10.639, que torna obrigatório, em todas as escolas brasileiras – públicas e particulares – o conteúdo “História e Cultura Afro-brasileira”. Tal fato vem, assim, se somar, podendo transformar-se no motor para, enfim, iniciar-se uma mobilização pela efetividade da legislação já existente em Santa Cruz do Sul e, agora, reforçada em nível nacional.
Essa discussão teve início entre um pequeno grupo de professores e ativistas de organizações e movimentos comunitários durante o debate “História e Movimento Negro”, que aconteceu no dia 22 de março de 2003, na sede da Sociedade Cultural Beneficente União, em Santa Cruz do Sul, marcando no município a passagem, na data anterior (21/03), do Dia Internacional de Combate a Discriminação Racial.
IDÉIA
A idéia, pois, é montar-se um Grupo de Trabalho (GT) autônomo que amplie e aprofunde a discussão sobre a implementação das legislações mencionadas, buscando caminhos para sua efetividade.
O GT poderia ser centralizado através dos sindicatos ligados aos educadores municipais, estaduais e de estabelecimentos particulares, compondo, junto com outros órgãos estatais e comunitários – tais como: Secretaria Municipal de Educação, Coordenadoria Regional de Educação, Grupo União e Consciência Negra, Unisc, pastorais e outros movimentos – uma “força tarefa” que criasse uma mobilização e instrumentos para a efetivação do que prevê a legislação local e nacional.
JUSTIFICATIVA
Numa sociedade onde a ideologia do racismo perdura, atingindo em cheio as pessoas afro-descendentes, conforme demonstram inúmeros dados, rebaixando seus níveis de desenvolvimento humano, notadamente no campo econômico e educacional; considerando que a escola é um instrumento que tanto pode reforçar a discriminação racial como trabalhar pela sua superação, a implementação, em todas as séries/ciclos, de conteúdos abordando a História e Cultura Afro-brasileira estaria efetivamente colaborando para superar (1º) o sistemático rebaixamento da auto-estima de educandos negros e negras e (2º) a “ignorância geral” sobre a importância que têm a África, os africanos e afro-descendentes dentro da história mundial e brasileira – levando, assim, ao menosprezo da cultura de base africana e das pessoas com antepassados neste antiguíssimo, enorme e complexo continente.
OPERACIONALIZAÇÃO
Poderíamos começar pela definição de um “núcleo embrionário”, que chamaria uma reunião ampliada, onde a proposta básica seria apresentada e, então, qualificada. A partir desse momento, com o GT constituído, passar-se-ia a reuniões em dias e horários adequados.
Em termos de trabalho “concreto”, há a sugestão de realizar um diagnóstico mais aprofundado dos motivos da não-implementação da legislação municipal, ao mesmo tempo que buscando-se “mapear” as experiências locais de trabalhos em escolas com a temática da africanidade. Num segundo momento, partir-se-ia para a já aludida criação da mobilização e de outros instrumentos de fomento a concretização das leis, inclusive de caráter didático-pedagógicos.
Sub-grupos poderiam ser montados, distribuindo-se tarefas específicas.
A coordenação e outras normas básicas de funcionamento poderiam ser pactuadas já nos primeiros encontros do GT.
SCS, março/abril de 2003.
Para prosseguir com as reflexões e movimentos em relação ao hino municipal de Santa Cruz do Sul e outras formas de fomento à discriminação racial, iniciados no mês de abril de 2001, conforme diversos registros – inclusive na imprensa – foi formalizada a existência do grupo que estava à frente da promoção daqueles diversos eventos, como os debates públicos sobre o hino santa-cruzense e o fórum de reflexão em 13 de maio de 2001. Assim sendo, foi aprovada a criação de uma denominação e diretrizes básicas para o funcionamento das atividades do agrupamento.
A denominação ficou estabelecida como: Coletivo de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul*, com a sigla CEDECS.
Tal denominação contempla o objetivo primeiro do grupo, ou seja, buscar informações, problematizar e levar à comunidade reflexões acerca da discriminação racial e outras, engajando-se numa luta histórica maior pelo resgate da dignidade, da auto-estima, das características culturais próprias, do poder político e econômico em todas as instâncias do Brasil do povo oprimido, em especial os afro-descendentes, índios e outros segmentos englobados na grande “raça humana”.
O CEDECS não tem vínculos partidários e religiosos, portanto é uma organização autônoma, buscando manter reuniões e outros encontros periódicos, além de promover ou apoiar eventos que ampliem o estudo e o debate sobre os assuntos étnicos e culturais em Santa Cruz do Sul e região.
A adesão ao CEDECS será livre, não implicando compromisso formal algum, a não ser estar disposto a estudar e debater coletivamente assuntos envolvendo as questões étnico-culturais em Santa Cruz do Sul e região.
É sugerido que a cada encontro seja eleito entre os presentes um/a coordenador/a, que ficará responsável por conduzir a reunião e encaminhar a próxima; elegendo-se também um/a secretário/a para registrar o que for abordado e deliberado. Poder-se-á formar comissões temporárias para a realização de tarefas específicas, bem como outras propostas de atuação do CEDECS.
Ficou definido também que ninguém ficará autorizado a falar em nome do CEDECS, a não ser com a expressa deliberação em reunião do coletivo.
Tais diretrizes foram acordadas em reunião na sede da FGTAS/SINE-RS de Santa Cruz do Sul no dia 29 de maio de 2001.
*Posteriormente, por uma questão de precisão e amplitude da designação, a denominação foi alterada para Coletivo de Estudos e Debates Étnicos e Culturais de Santa Cruz do Sul (ao invés de Étnico-culturais).
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Proposta para o III Encontro de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul
Estamos propondo um debate sobre a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul. Queremos fazer um exercício coletivo de lançar um olhar crítico, numa perspectiva que considere com mais profundidade os aspectos históricos e da construção da identidade social-étnica implicados nesse evento. Temos a pretensão – e este é o nosso ponto de partida – de buscar enfocar facetas da Oktoberfest que não vêm a público, submersas que estão em clichês argumentativos.
Abaixo seguem algumas problematizações que podem servir de elementos para iniciarmos uma discussão:
1 – O fato da Oktoberfest ser um empreendimento turístico-comercial já nos anuncia as suas limitações. Como aprofundar um “resgate” do passado de uma forma ampla e em toda a sua complexidade? Num ambiente de festa, de vendas, de “exaltação” não há espaço para questionamentos e consideração às tragédias e indignidades humanas. Fica-se, quase necessariamente, nos estereótipos, no “lado bom”, na parcialidade, enfim, na pasteurização da história.
2 – A Oktoberfest é uma “comemoração oficial” – é a festa máxima de “toda” a municipalidade. Porém, está vinculada a uma homenagem exclusiva de um determinado grupo étnico, reforçando o senso comum de que “Santa Cruz do Sul é um município alemão”. Onde ficam as outras etnias e pessoas de outras origens geográficas – negros, lusos, belgas, holandeses, paulistas, cearenses etc. – formadoras da comunidade ao longo do tempo? Parecem estar num plano subalterno e coadjuvante. Não se estaria produzindo um ambiente propício a noções de supremacia racial e de uma compreensão equivocada da história santa-cruzense?
A Oktoberfest parece ter tanta importância que até o local – que funciona o ano inteiro, que é ocupado para diversos fins e eventos – tem o nome de “Parque da Oktoberfest”, com suas fachadas “caracterizadas em estilo alemão”.
3 – Outra consideração que podemos levantar é o artificialismo da “tradição” que os “ideólogos” da Oktoberfest tencionam investi-la. É sabido que os imigrantes germânicos que chegaram a Santa Cruz do Sul não são os retratados na festa, pois provindos de regiões da Europa e de uma Alemanha onde nem mesmo o chopp era uma bebida tradicional, conforme diz o professor e pesquisador Jorge Cunha, doutorado na universidade de Hamburgo (ver reportagem do site no.com).
4 – Há elementos que podem nos fazer raciocinar que a Oktoberfest, além de toda a inconsistência histórica e espírito comercial, consubstancia-se também num culto à Alemanha. No cartaz da festa de 2001, por exemplo, há no alto da peça três bandeiras da atual República Federal da Alemanha. Não é a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul um evento brasileiro? Se é uma festa “tradicional, por que vinculá-la tão explicitamente a uma Alemanha muito diferente “daquela” dos que emigraram em meados do século XIX? Não se estaria querendo buscar refúgio psicológico numa “Alemanha paradisíaca”, desprezando-se, por outro lado, a identidade brasileira e os problemas do Brasil?
5 – Como se dá o envolvimento da população santa-cruzense na “germanidade” da Oktoberfest? Em que níveis, momentos e estratos sociais isso se estabelece?
S.C.S., 08/10/2001.
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CONVITE
Prezados/as Conselheiros/as:
A história, a cultura e os problemas atuais de comunidades indígenas que residem ou transitam no Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari serão o tema do 3º Encontro de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul. O evento, que conta com o apoio da 6ª Coordenadoria Regional da Divisão da Criança e do Adolescente (STCAS-RS), acontece no próximo dia 22 de novembro, quinta-feira, às 19h30min, na sala 101 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).
A palestrante da noite será a coordenadora executiva do Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI-RS), Maria Luiza Santos Soares. Aberto à participação de todos os interessados, o encontro promovido pelo Coletivo de Estudos e Debates Étnico-Culturais de Santa Cruz do Sul (Cedecs) tem a entrada franca.
Um dos objetivos dos organizadores é buscar informações e fomentar uma discussão sobre questões envolvendo crianças que acompanham grupos de índios itinerantes, permanecendo acampados em cidades como Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Lajeado, aparentemente em situações precárias. Como se trata de um cultura e de outros aspectos – inclusive legais – próprios, o entendimento e a abordagem das pessoas e dos agrupamentos indígenas precisam também ser diferenciados, sem cair na discriminação ou omissão.
Contamos com a presença de todos os conselheiros/as.
(...)
Agradecendo a atenção, colocamo-nos à disposição.
Iuri J. Azeredo
Coordenador da 6ª Coordenadoria Regional da Divisão da Criança e do Adolescente
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ESBOÇO DE PROPOSTA PARA A CRIAÇÃO DO
CENTRO (ou Núcleo) DE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS DO VALE DO RIO PARDO
A região do Vale do Rio Pardo já possui diversas instituições que se ocupam em estudar a história e a cultura de determinados grupos étnicos, notadamente os de origem germânica. Ocorre que poucas, de forma organizada, sistemática e oficial, detém-se nos afro-descendentes. Isso tem produzido uma lacuna no conhecimento histórico, sociológico e antropológico no Vale do Rio Pardo a respeito da população negra, o que pode estar colaborando – ao longo do tempo e por gerações – para atitudes de menosprezo e subestimação da importância, na construção e desenvolvimento da comunidade regional, que têm a cultura e o trabalho das pessoas com raízes no continente africano.
Basta que procuremos, nas universidades da região, entre os trabalhos acadêmicos e à literatura sobre o assunto produzida localmente, para comprovarmos o que estamos dizendo. Muito pouco, senão quase nada de consistência e fôlego, se encontrará. Ao contrário, em relação aos teuto-descendentes, por exemplo, há uma multidão de pesquisas e publicações – algo que, sem dúvida, vem reforçar a posição hegemônica dos “brancos”, eurocêntrica, em termos de identidade social-étnica que prevalece no Vale do Rio Pardo, refletindo-se também no predomínio político, econômico e social que têm os descendentes de europeus na região.
Para colaborar na reversão deste quadro de “marginalidade” em diversos sentidos e setores da vida social, estamos propondo a construção do que poderia ser um Centro Regional de Estudos Afro-brasileiros do Vale do Rio Pardo.
Tal centro, estabelecendo diversas parcerias para a sua criação e manutenção, com uma gestão composta com os organismos da comunidade negra regional, teria uma ação autônoma, abarcando atividades de pesquisa e divulgação de assuntos pertinentes aos negros e negras na região, sua história, cultura, a situação social, nas instituições, no mundo do trabalho, as relações inter e intraétnicas na região etc. O centro, além de uma produção própria, feita por pesquisadores (de diversos níveis) vinculados, incentivaria trabalhos em outros espaços, caso de escolas e universidades; seminários, fóruns, encontros, jornadas também seriam momentos onde o centro estaria interagindo, na busca da divulgação, debate e apoio ao resgate da contribuição e análise da problemática envolvendo os afro-brasileiros no Vale do Rio Pardo.
Tem-se uma tarefa enorme pela frente. Os dados históricos existentes são consideráveis, mas ainda não mereceram uma recuperação, estudo, teorização e sistematização efetivas e relevantes. O foco dos estudos, da preocupação e problematização acadêmicas e em outros setores que buscam explicitar a história regional e seu desenvolvimento, como já dissemos, recai, na esmagadora maioria dos casos, sobre a ocupação e imigração européias, relegando-se – como se evidencia, ademais, pela falta de trabalhos universitários na região – um papel coadjuvante ou mesmo de inferior consideração ao povo negro (sem esquecer dos índios, outro personagem relegado ao folclore ou “objeto arqueológico”).
Portanto, o Centro Regional de Estudos Afro-brasileiros do Vale do Rio Pardo poderia ter um caráter que transcendesse o mero “tapar o vazio” em termos de produção de literatura especializada e discussões específicas sobre a descendência africana nos municípios que formam a região; teria, sobretudo, um papel fundamental na recuperação da auto-estima e da concreta valorização da contribuição dos afro-descendentes, ampliando a análise das questões sociais – o racismo em suas inúmeras, complexas e às vezes sutis discriminações negativas – que historicamente atingem milhares de negros e negras que fazem do Vale do Rio Pardo a “sua terra”, subsidiando projetos, programas e políticas públicas visando a superação dos entraves à melhoria da qualidade de vida e participação protagonistas desse povo em todos os espaço da sociedade regional.
Reforçamos que o acima exposto é uma proposta, que está posta à discussão, para a sua avaliação e aperfeiçoamento.
Santa Cruz do Sul, 08 de outubro de 2001. (Reformulada mais uma vez em março de 2002.) – Coletivo de Estudos e Debates Étnicos e Culturais de Santa Cruz do Sul (CEDECS)
Obs. 1: Ao invés de Centro, a denominação poderá ser Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Vale do Rio Pardo (com a possível sigla de NEAFRO).
Obs. 2: Há a indicação de propor-se a localização física do NEAFRO no que será o Centro Regional de Cultura em Rio Pardo. Como é sabido, Rio Pardo, além de núcleo originário da região do Vale do Rio Pardo e outras, foi uma localidade onde a presença da população negra é de grande significância numérica, econômica, social e cultural.
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Esboço de proposta
GT de Educadores/as e Ativistas pela Africanidade e Multiculturalismo em Santa Cruz do Sul
DEFINIÇÃO
Trata-se de um Grupo de Trabalho autônomo, englobando educadores e ativistas comunitários, tendo o objetivo de estudar e fomentar a implementação das leis municipal e federal que determinam o ensino nas escolas de conteúdos sobre História e Cultura da África e dos Afro-brasileiros.
A “africanidade” – que consta na denominação do GT – se refere, em resumo, à valorização dos elementos sócio-culturais de origem africana, tantos os do passado, ou seja, que vieram e se difundiram com os negros e negras no Brasil e o mundo, incorporando-se às características do povo brasileiro e do planeta, como o interesse e interações com a realidade dos países da África na atualidade.
Acreditamos que tal valorização histórica e interação no presente com “as coisas africanas” é muito importante para ancorar o resgate da auto-estima dos afro-descendentes.
O termo “multiculturalismo” aponta para uma visão de inclusão e “miscigenação” étnica, que respeita a diversidade humana, os encontros e as idiossincrasias culturais, mas sem hierarquizações.
INTRODUÇÃO
Desde meados dos anos 90 existe em Santa Cruz do Sul uma lei municipal que determina o ensino de conteúdos vinculados a história da África e os afro-descendentes no Brasil. Essa obrigatoriedade legal tem se mostrado, na prática, inoperante, com algumas exceções, por conta do esforço individual de alguns professores conscientes da importância de trabalhar a temática do africanismo em suas aulas.
A alegação que mais comumente se observa para o descumprimento da supracitada lei é de que “não há material didático” ou formação e orientações específicas para ministrar os conteúdos – fatores agravados ainda mais pela proposta interdisciplinar da sua aplicação no dia-a-dia escolar.
Ocorre que, recentemente, foi sancionada a Lei Federal nº 10.639, que torna obrigatório, em todas as escolas brasileiras – públicas e particulares – o conteúdo “História e Cultura Afro-brasileira”. Tal fato vem, assim, se somar, podendo transformar-se no motor para, enfim, iniciar-se uma mobilização pela efetividade da legislação já existente em Santa Cruz do Sul e, agora, reforçada em nível nacional.
Essa discussão teve início entre um pequeno grupo de professores e ativistas de organizações e movimentos comunitários durante o debate “História e Movimento Negro”, que aconteceu no dia 22 de março de 2003, na sede da Sociedade Cultural Beneficente União, em Santa Cruz do Sul, marcando no município a passagem, na data anterior (21/03), do Dia Internacional de Combate a Discriminação Racial.
IDÉIA
A idéia, pois, é montar-se um Grupo de Trabalho (GT) autônomo que amplie e aprofunde a discussão sobre a implementação das legislações mencionadas, buscando caminhos para sua efetividade.
O GT poderia ser centralizado através dos sindicatos ligados aos educadores municipais, estaduais e de estabelecimentos particulares, compondo, junto com outros órgãos estatais e comunitários – tais como: Secretaria Municipal de Educação, Coordenadoria Regional de Educação, Grupo União e Consciência Negra, Unisc, pastorais e outros movimentos – uma “força tarefa” que criasse uma mobilização e instrumentos para a efetivação do que prevê a legislação local e nacional.
JUSTIFICATIVA
Numa sociedade onde a ideologia do racismo perdura, atingindo em cheio as pessoas afro-descendentes, conforme demonstram inúmeros dados, rebaixando seus níveis de desenvolvimento humano, notadamente no campo econômico e educacional; considerando que a escola é um instrumento que tanto pode reforçar a discriminação racial como trabalhar pela sua superação, a implementação, em todas as séries/ciclos, de conteúdos abordando a História e Cultura Afro-brasileira estaria efetivamente colaborando para superar (1º) o sistemático rebaixamento da auto-estima de educandos negros e negras e (2º) a “ignorância geral” sobre a importância que têm a África, os africanos e afro-descendentes dentro da história mundial e brasileira – levando, assim, ao menosprezo da cultura de base africana e das pessoas com antepassados neste antiguíssimo, enorme e complexo continente.
OPERACIONALIZAÇÃO
Poderíamos começar pela definição de um “núcleo embrionário”, que chamaria uma reunião ampliada, onde a proposta básica seria apresentada e, então, qualificada. A partir desse momento, com o GT constituído, passar-se-ia a reuniões em dias e horários adequados.
Em termos de trabalho “concreto”, há a sugestão de realizar um diagnóstico mais aprofundado dos motivos da não-implementação da legislação municipal, ao mesmo tempo que buscando-se “mapear” as experiências locais de trabalhos em escolas com a temática da africanidade. Num segundo momento, partir-se-ia para a já aludida criação da mobilização e de outros instrumentos de fomento a concretização das leis, inclusive de caráter didático-pedagógicos.
Sub-grupos poderiam ser montados, distribuindo-se tarefas específicas.
A coordenação e outras normas básicas de funcionamento poderiam ser pactuadas já nos primeiros encontros do GT.
SCS, março/abril de 2003.
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